F1: Alonso detalha problema físico após abandono no GP da China

A Fórmula 1 viveu mais um capítulo preocupante para a Aston Martin no GP da China 2026, com Fernando Alonso abandonando a corrida após sentir forte desconforto físico causado por vibrações no carro. O espanhol revelou que a situação afetou não apenas as mãos, mas também os pés, tornando impossível seguir na prova em Xangai.

O abandono aconteceu na volta 35, quando Alonso levou seu Aston Martin de volta aos boxes. Segundo o bicampeão, o nível de vibração havia chegado a um ponto insustentável, especialmente porque ele já estava uma volta atrás, na última posição, sem perspectiva real de recuperação.

Antes mesmo do início da temporada, a equipe já havia admitido preocupação com esse problema. Adrian Newey havia revelado antes da etapa de abertura, na Austrália, que os dois pilotos corriam risco de dano permanente nos nervos das mãos por causa das vibrações geradas pela bateria da Honda no chassi.

Durante a corrida na China, as imagens onboard mostraram Alonso soltando o volante por breves momentos para aliviar o impacto da vibração nas mãos. Depois da prova, porém, o piloto explicou que o problema não ficou restrito a essa região do corpo.

“Provavelmente eu não conseguiria terminar a corrida de qualquer maneira”, afirmou Alonso. “O nível de vibração estava muito alto em determinado momento. Da volta 20 até a 35, comecei a ter dificuldade para sentir um pouco minhas mãos e meus pés.”

Fernando Alonso (ESP) Aston Martin F1 Team AMR26.
Foto: XPB Images

O espanhol deixou claro que a decisão de abandonar não teve relação apenas com a posição na corrida, mas também com a intensidade crescente do desconforto. “Estávamos uma volta atrás, éramos os últimos, e provavelmente não fazia sentido continuar”, disse.

Até o agravamento do problema, a corrida havia transcorrido de maneira relativamente normal para o piloto da Aston Martin. Ainda assim, Alonso contou que a vibração foi pior na corrida do que em qualquer outra atividade do fim de semana, sem que a equipe saiba exatamente o motivo.

“Hoje foi pior do que em qualquer outra sessão do fim de semana, para ser honesto. Não sei por qual razão”, afirmou. A declaração reforça a dificuldade da equipe em entender completamente o comportamento do carro nas diferentes condições de pista.

Alonso também explicou que algumas medidas adotadas pela Aston Martin para reduzir o problema funcionaram apenas de forma parcial. Segundo ele, a equipe tentou amenizar a vibração reduzindo artificialmente certos parâmetros do motor.

“Alguns dos passos que demos foram obtidos artificialmente, baixando o RPM do motor e coisas assim, para que tudo vibrasse menos”, explicou. O problema é que, em corrida, esse tipo de limitação tem efeito direto sobre o desempenho.

O espanhol ressaltou que, em momentos de ultrapassagem ou de recarga de energia, ainda é necessário elevar bastante o giro do motor. Isso faz com que a vibração volte a crescer e o esforço físico aumente volta após volta.

“Na corrida, obviamente você ainda precisa usar rotações mais altas quando tenta ultrapassar, ou quando precisa recarregar energia. Então, com o passar do tempo, isso se torna mais difícil e mais exigente”, concluiu.

A situação expõe novamente um ponto crítico da Aston Martin neste início de temporada. Mais do que uma questão de desempenho puro, o problema passa a atingir diretamente a condição física dos pilotos, o que aumenta a pressão sobre a equipe para encontrar uma solução rápida.