A temporada 2026 da Fórmula 1 promete mudanças profundas, e a expectativa é de que o início do ano seja marcado por imprevisibilidade. Quem faz esse alerta é Alex Wurz, ex-piloto de F1 e atual presidente da GPDA (associação dos pilotos), que vê potencial para situações “malucas” enquanto pilotos e equipes se adaptam às novas regras técnicas.
A partir de 2026, as unidades de potência terão participação muito maior da parte elétrica, com a bateria sendo responsável por igualar a potência entregue pelo motor de combustão interna. É uma mudança significativa no equilíbrio energético dos carros, e segundo Wurz, a gestão dessa energia será um fator estratégico decisivo nas primeiras corridas.
“O primeiro semestre da temporada pode ser extremamente interessante com o novo sistema de gerenciamento de energia”, declarou Wurz ao jornal austríaco Kronen Zeitung. “Podem acontecer cenas malucas. É possível ganhar mais de um segundo em algumas curvas e setores.”
Essa previsão leva em conta não apenas o comportamento dos pilotos, mas também o trabalho dos fabricantes de motor. Nas últimas semanas, surgiram relatos de que duas fornecedoras, Mercedes e Red Bull Powertrains, teriam encontrado uma solução criativa dentro do regulamento, explorando o modo como a FIA está medindo a compressão dos motores.
Segundo Wurz, o detalhe está na metodologia de medição definida pela federação. “A FIA reduziu a compressão, e a medição é feita em temperatura ambiente”, explicou. “Aparentemente, dois fabricantes exploraram a expansão térmica. Estamos falando de 10 a 15 cavalos, o que representa de três a quatro décimos por volta.”

Para o ex-piloto, um ganho desse nível pode mudar todo o cenário competitivo. “Nem um piloto de topo consegue bater um piloto mediano com uma diferença dessas. Isso pode decidir o campeonato”, afirmou.
A afirmação ganha peso porque a disputa pelo título tende a ser cada vez mais sensível a detalhes. Com a Fórmula 1 entrando em uma era em que o software, a gestão de energia e a eficiência térmica serão tão importantes quanto o desempenho aerodinâmico, pequenos avanços podem representar grandes vantagens.
Ainda assim, não há certezas antes da pista. Os primeiros testes coletivos com os novos carros devem acontecer antes do início da temporada, e só então o público terá uma ideia mais concreta das diferenças entre os fabricantes.
Até lá, Wurz antecipa algo incomum para uma categoria tão precisa: caos controlado. Se confirmado, o início da nova era da F1 pode ser tão interessante quanto turbulento.
