A Fórmula 1 introduziu uma nova regra para 2026 que pode alterar o equilíbrio entre as equipes ao longo da temporada. O chamado ADUO, sigla para Additional Development Upgrade Opportunities (Oportunidades Adicionais de Atualização de Desenvolvimento), foi criado para ajudar fabricantes de unidades de potência que ficarem atrás dos concorrentes.
Essa medida funciona como um mecanismo de recuperação para quem estiver com desempenho inferior. A avaliação será feita em três momentos ao longo do ano, com fabricantes que estiverem entre 2% e 4% atrás do melhor motor, recebendo oportunidades extras de desenvolvimento.
Diferente de outros sistemas de equilíbrio, como o ‘Balance of Performance’ usado em outras categorias, o ADUO não reduz o desempenho dos líderes. Em vez disso, a responsabilidade recai sobre os fabricantes que estão atrás, permitindo que eles reduzam a diferença por meio de desenvolvimento adicional.
Caso a defasagem fique entre 2% e 4%, o fabricante poderá realizar uma mudança imediata. Se o atraso for superior a 4%, as concessões serão maiores, incluindo mais tempo em dinamômetro e maior flexibilidade dentro do teto orçamentário. O objetivo é evitar grandes diferenças de desempenho que possam durar anos, como ocorreu em 2014, durante o domínio da Mercedes.
A nova regra não promete soluções rápidas, como destacou Mattia Binotto, chefe da Audi, que utiliza unidades de potência próprias: “Os prazos para desenvolvimento de motores são muito longos. Avaliamos que a maior parte da diferença para as equipes de ponta, vem da unidade de potência, o que não é inesperado”, afirmou durante o final de semana do GP do Japão.

Binotto também ressaltou que a recuperação exige paciência: “Temos um plano para recuperar. Mas o desenvolvimento do motor, especialmente com certos conceitos, pode levar mais tempo. Não é por acaso que definimos 2030 como nosso objetivo. Milagres não são possíveis”, disse o italiano.
Outro fabricante que enfrenta dificuldades é a Honda, que equipa os carros da Aston Martin. Segundo o engenheiro-chefe de pista da marca, Shintaro Orihara, a empresa trabalha simultaneamente em confiabilidade, desempenho e gestão de energia: “Estamos trabalhando duro para melhorar a confiabilidade da bateria e o desempenho do motor. Esse tipo de desenvolvimento não é de curto prazo”, explicou.
Ele destacou ainda que os dados coletados durante a corrida em Suzuka, serão importantes para a evolução: “Conseguimos muitos dados ao longo da distância de corrida. Isso nos ajuda a melhorar a dirigibilidade e a gestão de energia para as próximas semanas”, afirmou Orihara.
A primeira avaliação do ADUO estava prevista após a sexta etapa da temporada, originalmente marcada para o GP de Miami. No entanto, com o cancelamento das corridas no Bahrein e na Arábia Saudita, Miami passou a ser a quarta etapa, o que pode adiar a primeira análise para o início de junho, possivelmente durante o final de semana do GP de Mônaco.
Essas avaliações do ADUO serão feitas trimestralmente ao longo da temporada 2026. Com isso, a Fórmula 1 busca evitar grandes disparidades e garantir uma disputa mais equilibrada entre os fabricantes de unidades de potência.
