F1 2026: Como vão funcionar os novos modos reta, curva e ultrapassagem na Austrália?

Como vão funcionar os novos modos reta, curva e ultrapassagem da F1 2026 na Austrália?

A revolução técnica da Fórmula 1 começa oficialmente no GP da Austrália de 2026, em Albert Park. E não se trata apenas de carros menores, mais leves ou da divisão quase equilibrada entre combustão e eletrificação. A grande mudança que o público perceberá imediatamente estará na dinâmica de corrida: entram em cena os modos “reta”, “curva” e o novo “modo de ultrapassagem”, que substitui o DRS.

A partir desta temporada, as asas dianteira e traseira passam a ser móveis e comandadas pelo piloto. O sistema lembra o antigo DRS na parte traseira, mas vai além, incorporando também um conceito semelhante ao da asa dianteira ajustável vista em 2009. A lógica, porém, é diferente da que vigorou entre 2011 e 2025.

Cada circuito terá zonas pré-definidas onde o chamado “modo reta” poderá ser utilizado. Em Melbourne, serão seis áreas distribuídas ao longo do traçado: entre as curvas 14 e 1, 2 e 3, 5 e 6, 8 e 9 e 10 e 11. Nessas regiões, as asas dianteira e traseira reduzem seu ângulo de ataque, diminuindo o arrasto e permitindo velocidades mais altas nas retas. Ao frear para uma curva ou deixar essas zonas, o carro retorna automaticamente ao “modo curva”, restaurando o nível máximo de downforce para garantir estabilidade e aderência.

Diferentemente do antigo DRS, o modo reta não depende da distância para o carro à frente. Todos têm acesso ao sistema nas áreas determinadas pela FIA. O ganho, portanto, é coletivo e faz parte da própria arquitetura aerodinâmica ativa da nova geração de carros.

Já o “modo de ultrapassagem” assume o papel estratégico que antes era do DRS, mas com uma abordagem centrada na energia elétrica. Ele funciona como um push-to-pass e está diretamente ligado à nova unidade de potência de 2026, que entrega cerca de 50% da performance total por meio do sistema elétrico.

F1 2026: Como vão funcionar os novos modos reta, curva e ultrapassagem na Austrália?
Foto: Fórmula 1

A ativação continua condicionada à proximidade: o piloto precisa estar a menos de um segundo do adversário na zona de detecção. Em Albert Park, essa medição ocorrerá entre as curvas 13 e 14, enquanto a liberação do uso da potência extra será na reta principal, entre a curva 14 e a 1.

Quando acionado, o carro perseguidor poderá manter a potência elétrica máxima de 350 kW até aproximadamente 337 km/h. A partir desse ponto, a entrega começa a diminuir progressivamente, chegando a zero kW aos 355 km/h. Na prática, isso permite que o carro de trás atinja sua velocidade máxima mais cedo do que o da frente, criando a diferença necessária para a tentativa de ultrapassagem.

O impacto real desse novo sistema ainda será medido na pista. Não se sabe se o delta de velocidade será semelhante ao que o DRS proporcionava. Além disso, há uma variável estratégica relevante: a gestão de energia. Diferentemente do antigo sistema puramente aerodinâmico, o modo de ultrapassagem depende diretamente da quantidade de energia recuperada ao longo da volta. Isso obriga os pilotos a planejarem cuidadosamente seus pontos de regeneração — incluindo o uso de lift and coast — ao mesmo tempo em que precisam permanecer dentro da janela de um segundo para poder ativar o recurso.

Melbourne, portanto, não será apenas a primeira corrida da temporada. Será o primeiro teste real de uma Fórmula 1 que altera profundamente sua lógica de disputa. A aerodinâmica ativa deixa de ser apenas um recurso pontual de ataque e passa a integrar a estrutura do carro. A energia elétrica deixa de ser coadjuvante e assume papel central na estratégia. E o piloto, mais do que nunca, terá que equilibrar velocidade, regeneração e timing para transformar tecnologia em ultrapassagem.