A FIA está tentando reprimir as equipes de Fórmula 1 que estão usando o “ângulo de direção” para obter vantagem aerodinâmica através do uso de sistemas de suspensão dianteira inteligentes.
Uma diretiva técnica enviada por Charlie Whiting na semana passada deixou claro que a FIA acredita que em 2017, algumas equipes projetaram seus sistemas de suspensão e direção para diminuir a altura da dianteira nas curvas, potencialmente proporcionando um benefício aerodinâmico e aumentando a aderência.
Uma mudança de altura quando o volante é movido de um lado para outro é normal, mas diz que, a partir de agora, não pode exceder 5mm (cinco milímetros) – e cabe às equipes fornecer provas de que os sistemas de seus carros 2018 irão cumprir isso.
Segundo o site ‘Autosport’, aconteceu uma reunião sobre regulamento técnico da FIA em Londres em 21 de novembro, onde houve pontos de vista contraditórios sobre o tamanho da influência permitida sobre a aerodinâmica.
Fontes indicam que a Red Bull queria manter a liberdade de desenvolver a suspensão de acordo com o regulamento vigente, enquanto a Ferrari apoiava restrições mais apertadas. A Mercedes teria sugerindo que a suspensão ativa deveria ser permitida, com software e hardware prescrito pela FIA.
Três semanas depois dessa reunião, essa diretiva técnica foi enviada para as equipes, todos já avançadas com seus projetos de 2018.
Whiting dizia: “Ficou claro durante a temporada que algumas equipes estavam projetando os sistemas de suspensão e direção em uma tentativa de mudar a altura da frente do carro.
“Embora alguma mudança seja inevitável quando o volante é movido de um lado para outro, nós suspeitamos que o efeito de alguns sistemas estava mudando demais a altura da dianteira dos carros, e isso está longe de ser acidental.
“Nós também acreditamos que qualquer alteração não acidental da mudança de altura provavelmente afetará a performance aerodinâmica do carro”, dizia a declaração.
Uma seção do regulamento fala que “qualquer sistema no carro, dispositivo ou procedimento que use o movimento do piloto como meio de alterar as características aerodinâmicas do carro é proibida”, e essa pode ser a a parte que a FIA está usando para ajudar a justificar sua posição.
Whiting concluiu: “É nossa opinião que tais sistemas de direção devem ser tratados da mesma forma que os sistemas de suspensão, ou seja, que a decisão do ICA de 1993 deve ser aplicada ao avaliar a conformidade com o Artigo 3.8 do Regulamento Técnico.
“Portanto, qualquer alteração da altura na dianteira do carro quando o volante é movido de batente a batente deve ser totalmente incidental.
“Por conseguinte, pediremos que vocês nos forneçam toda a documentação relevante que mostra o efeito que a direção tem na altura da frente do seu carro e, para nos satisfazer que qualquer efeito seja incidental, acreditamos que a altura da dianteira não deve mudar por mais de 5,0 mm quando o volante é virado de batente a batente”.
Com efeito, as equipes agora devem decidir se podem se arriscar e continuar com os projetos pretendidos para 2018, ou construir seus carros de acordo com a nova interpretação.
