Não é comum que a Fórmula 1 cancele GPs de seus calendários, como ocorreu com o anúncio de que as corridas no Bahrein e na Arábia Saudita neste ano não serão realizadas. Mas também não chega a ser uma raridade que GPs marcados para a temporada deixem de ser realizados pelos mais variados motivos ao longo dos anos.

O cancelamento das etapas barenita e saudita ocorre por conta do conflito armado entre Estados Unidos, Israel e Irã, com o país persa sendo atacado pelos outros dois após meses de tensão entre Washington e Teerã. É a terceira vez que guerras ou protestos contra o governo forçam a F1 a cancelar corridas, repetindo 2011, no Bahrein, e 2022, na Rússia.
Ao longo dos tempos, crises financeiras, desastres naturais, pandemia e até acidentes em provas de outras categorias provocaram cancelamentos de GPs da F1. F1MANIA.NET lista alguns destes cancelamentos a seguir:
1955 – GPs da França, Suíça, Espanha e Alemanha
Considerado por muitos o acidente mais grave da história do esporte a motor mundial, a colisão de Pierre Levegh durante as 24 Horas de Le Mans de 1955, que explodiu nas arquibancadas de madeira, matando o piloto e mais de 80 espectadores, teve como uma das consequências o cancelamento de corridas da Fórmula 1. Naquele ano deixaram de ser realizados os GPs de França, Suíça, Espanha e Alemanha.
1957 – GPs da Holanda e Bélgica
Com a alta dos preços do petróleo e, consequentemente, da gasolina, ocasionado pela crise de Suez no ano anterior, os promotores dos GPs buscaram as equipes para ver se elas aceitariam uma premiação menor. Com a negativa, as provas foram canceladas e uma nova corrida, em Pescara, na Itália, foi realizada.
1969 – GP da Bélgica
Liderados por Jackie Stewart, os pilotos pediram por melhorias na segurança do circuito de Spa-Francorchamps. Sem conseguir dinheiro para realizar as reformas para isso, os pilotos da mais importante categoria do esporte a motor mundial optaram por boicotar a corrida.
1985 – GP da Bélgica
Desta vez, a corrida em Spa-Francorchamps não ocorreu por conta do asfalto. Visando melhorar as condições de aderência na chuva, o traçado recebeu uma nova camada asfáltica duas semanas antes da corrida. Porém, sem tempo de cura, o pavimento começou a se soltar logo que os carros começaram a circular no circuito. Os reparos não funcionaram e o GP foi cancelado.
2011 – GP do Bahrein
A corrida em Sakhir abriria o campeonato de 2011, mas o Bahrein foi um dos países afetados pela Primavera Árabe, que derrubou líderes políticos em Egito e Tunísia, por exemplo. Sem segurança para os profissionais que trabalhariam no GP, não houve alternativa que não fosse o cancelamento do GP.
2020 – GP da Austrália e diversas outras corridas
Com o até então surto de Covid-19 ganhando cada vez mais força, a F1 viajou para a Austrália para iniciar a temporada 2020. A corrida em Melbourne, porém, só foi cancelada poucas horas antes do início do primeiro treino livre do final de semana. Pouco depois, todo o calendário daquele ano foi mexido por conta da pandemia, o que também ocorreu em 2021.
2022 – GP da Rússia
O caso da Rússia lembra o caso atual de Bahrein e Arábia Saudita. O cancelamento das corridas no país europeu ocorreu por conta da invasão do exército russo ao território ucraniano, ocorrida no início de 2022. A F1, que se preparava para ter uma corrida em São Petersburgo após realizar por anos o GP em Sochi, rompeu o contrato com os promotores do evento.
2023 – GP da Emilia Romagna
Uma das corridas que permaneceu no calendário da F1 mesmo após a pandemia, o GP da Emilia Romagna, em Ímola, deveria ser realizado em maio de 2023. Porém, fortes chuvas em toda a região onde fica localizado o autódromo impediram a realização da prova, que foi cancelada, voltando a receber a categoria máxima do esporte a motor mundial no ano seguinte.
