Audiência da F1 nos EUA para de crescer e apresenta pequena queda

Apesar de nos últimos anos, ter ocorrido um crescente interesse pela Fórmula 1 nos EUA, com três GPs confirmados no calendário e a estreia em 2023 do primeiro piloto americano (Logan Sargeant) na categoria desde 2015, a audiência da F1 nos Estados Unidos sofreu um recuo no ano passado, marcando uma queda de 9% em relação a 2022.

Já a média de espectadores por corrida ficou em 1,1 milhão, quase o dobro de 2018, mas ainda abaixo do patamar desejado. Para Bobby Epstein, presidente do Circuito das Américas (COTA), a chave do problema está na competitividade.

“Mais do que nunca, temos fãs apaixonados pelos próprios pilotos e suas personalidades”, afirmou Epstein ao The Athletic. “Os americanos, e talvez isso aconteça em qualquer lugar, mas com mais força nesse esporte, torcem para o compatriota vencer. É difícil construir o mesmo entusiasmo e paixão em torno de um piloto não competitivo, só porque ele é do país.”

Tom Garfinkel, um dos chefes do GP de Miami, no entanto, não acredita que um piloto americano campeão na F1 seja a solução definitiva.

“Seria fantástico, sem dúvida, mas não sei se é essencial para o sucesso ou o crescimento da base de fãs,” pondera Garfinkel. “Cinco ou dez anos atrás, acho que o fã de esporte médio nos EUA não conseguiria citar três pilotos da F1.”

O debate reflete o desafio da F1 em consolidar seu espaço no disputado mercado esportivo americano. Aumentar a competitividade dos pilotos locais pode ser um ingrediente importante, mas não o único. Investir em conteúdo personalizado, aproximar as estrelas do público e criar narrativas envolventes além das pistas, serão fundamentais para garantir o engajamento dos fãs americanos e levar a audiência da F1 nos EUA ao próximo patamar.

Isso tudo, além de que a própria Fórmula 1 precisa ser bem mais disputada e com uma concorrência real entre pilotos e equipes, como ocorre na Indy e NASCAR, para ficar somente nas duas categorias esportivas de automobilismo com maior sucesso nos EUA. Como a F1 é no momento, com o domínio exclusivo de uma só equipe (Red Bull) e um só piloto (Max Vertsappen), dificilmente o público americano terá maior interesse, pelo contrário, a tendência é que esse interesse diminua cada vez mais.