Hadjar, Lawson e Tsunoda vivem semanas decisivas enquanto o projeto do novo carro avança sem definição de pilotos.
A indefinição sobre a dupla da Red Bull para 2026 abriu uma espécie de “prorrogação” inesperada na luta por vagas dentro da própria família de equipes. Liam Lawson, hoje na Racing Bulls, reconheceu antes do GP de São Paulo que o adiamento da decisão pode ter lhe dado um pouco mais de tempo para tentar convencer a equipe a mantê-lo no grid no próximo ano. Com a Red Bull ainda avaliando quem será o parceiro de Max Verstappen na nova era da categoria e com Isack Hadjar vivendo uma temporada de estreia impressionante, a disputa interna ganhou contornos de tensão crescente.
Lawson admitiu que o cenário segue indefinido, mas que a mensagem da equipe não mudou: desempenho será o único critério. “Apenas pequenas coisas”, disse ao ser questionado se houve avanços na conversa desde o GP do México. “Acho que estamos mais focados nessas corridas, não tanto… Acho que todos estamos cientes de que as decisões estão vindo no final do ano. Mas a mensagem para nós é a mesma de sempre. É obviamente performar, é isso que estou tentando fazer, o que todos estamos tentando fazer. Não há nada mais profundo do que isso no momento. Isso realmente vai determinar o próximo ano.”
Enquanto isso, Hadjar afirma já ter contrato garantido com a Red Bull para 2026, mas ainda não sabe em qual das duas equipes correrá. O francês tornou-se um dos grandes destaques da temporada e, internamente, ganhou força como favorito para assumir a vaga ao lado de Verstappen — caso Red Bull decida fazer esse movimento. Yuki Tsunoda, que retornou ao time após a saída de Lawson antes da etapa do Japão, não conseguiu se aproximar do nível de Verstappen, aumentando a pressão por uma renovação no lineup.

O cenário ficou ainda mais complexo com a ascensão meteórica de Arvid Lindblad, apontado como potencial substituto de Hadjar na Racing Bulls caso o francês seja promovido. Isso coloca a dupla atual — Lawson e Tsunoda — em disputa direta por apenas uma vaga, transformando cada treino, classificação e corrida nas etapas finais em uma espécie de seletiva a céu aberto.
Regulamento de 2026 não influencia escolha da equipe, diz Permane
Apesar da mudança radical de regulamento para 2026 — com novo carro, nova filosofia aerodinâmica e novo equilíbrio entre motor a combustão e MGU-K —, Alan Permane, chefe da Racing Bulls, garantiu que nada disso influencia o processo de escolha do time. A preocupação principal está no presente, não no futuro.
“Não. De forma alguma”, afirmou. “Não tem nada a ver com os novos regulamentos. Estamos em uma disputa muito apertada, como já falamos. Mas também a Red Bull está em uma briga muito apertada no Campeonato de Construtores, e queremos estabilidade. Isso pode muito bem ir até o final da temporada. Então pode ser que não tenhamos nada até segunda-feira de manhã depois de Abu Dhabi. Não sei exatamente quando será, mas essa é a razão. Não tem nada a ver com as regras do próximo ano.”

A confirmação do dirigente desmonta uma teoria que vinha ganhando espaço no paddock: a de que, com carros mais críticos energeticamente, as equipes poderiam optar por pilotos mais experientes, como fez a Cadillac ao anunciar Sergio Pérez e Valtteri Bottas para 2026.
Para a Racing Bulls — e para a Red Bull — o momento é de pressão esportiva imediata. O time júnior luta em um pelotão apertado no Mundial de Construtores, e qualquer ponto pode fazer diferença no repasse final de verba da categoria.
Com a decisão empurrada para as etapas decisivas, a disputa entre Hadjar, Lawson e Tsunoda tornou-se um teste de consistência. Hadjar larga na frente pelo desempenho, Lawson tenta aproveitar a sobrevida e Tsunoda corre contra o histórico recente. Enquanto isso, a Red Bull monitora tudo com atenção redobrada — e não descarta nenhum cenário.
A única certeza é que a disputa vai até o apagar das luzes em Abu Dhabi.
