Spa: O charme e o desafio

É neste fim de semana que acontece um dos Grandes Prêmios mais esperados do ano — o Grande Prêmio da Bélgica. Depois de ter ficado fora do campeonato de 2003 devido às leis anti-tabagistas implantadas naquele país, o circuito de Spa-Francorchamps é tido como um dos mais charmosos e tradicionais da F1. Além disso, a pista é a preferida por 9 entre 10 pilotos. E não é difícil descobrir porquê.

“Spa preserva as características dos velhos circuitos, que são bem diferentes das pistas modernas”, disse o hexa-quase-hepta campeão Michael Schumacher. “Apesar dos monopostos de hoje terem feito o circuito ficar um pouco mais fácil, ele ainda é um desafio. Pilotar pelo linha perfeita aqui, especialmente em alguns trechos, é simplesmente arrepiante. Não é coincidência que geração após geração de pilotos falam tanto na Eau Rouge!”

Eau Rouge — a curva mais desafiadora da F1. É uma curva aberta, tão aberta que quase não se nota que é uma curva. Isso facilitaria as coisas para os pilotos, certo? Sim, se ela não fosse a divisão entre um declive e um aclive. Os pilotos saem da La Source — a primeira e mais lenta curva da longa volta em Spa — acelerando e chegam a uma descida a todo vapor. Para contornar a Eau Rouge, é preciso um controle perfeito do carro e também uma boa linha de direção. Só assim é possível superá-la sem tirar o pé, para iniciar a longa subida sem perda de tempo. “É vital sermos rápidos aqui para ficar com o máximo de velocidade na seção reta que leva à Les Combes, pois aqui é uma potencial oportunidade de ultrapassagem se você manter um bom ritmo na Eau Rouge”, afirma David Coulthard.

Mas nem só de Eau Rouge vive o circuito localizado na estrada entre as cidades belgas de Spa e Francorchamps — daí a origem no nome. Coutlhard nos explica: “Outras curvas que são incríveis são a Blanchimont, que também é feita com o pé embaixo, e a dupla tangência da Pouhon.” A Blanchimont é uma curva extremamente rápida, feita a 300 km/h, e a Pouhon é uma curva bastante aberta na qual é necessário subir na zebra, abrir e novamente usar a zebra.

O circuito é considerado de média pressão aerodinâmica, com grandes retas seguidas por curvas de baixas, configurando pontos de ultrapassagem. Tudo isso somado a curvas extremamente lentas, como a já citada La Source (60 km/h) e a chicane da Bus Stop (90 km/h). Sam Michael, diretor técnico da Williams, nos dá o tom. “O acerto não é feito para alta pressão aerodinâmica, mas é importante termos estabilidade ao longo das curvas de velocidade média, quando o carro volta da parte longe do circuito.”