Parabéns pelo seu quinto lugar em Indianápolis.Você ficou impressionado com a performance do TF104?
Nós esperávamos que Indianápolis seria um dos circuitos mais favoráveis ao TF104, mas acho que se alguém tivesse me contado que eu terminaria apenas 37 segundos atráz do vencedor, talvez não teria acreditado. De qualquer maneira, podíamos ver pelos resultados dos treinos livres que seríamos copetitivos. Toda a equipe precisava desse resultado e o melhor de tudo é que mostramos um ótimo ritmo. Foi uma excelente maneira de celebrar 150 GPs!
Como foi a sua classificação?
Eu fui capaz de fazer grandes voltas tanto na primeira classificação quanto na segunda. Nós diminuimos os níveis de combustível para a primeira volta e fiquei em terceiro, que foi a mesma colocação que consegui em 2003. Quando colocamos o combustível no carro, eu ainda estava confiante em um resultado entre os dez primeiros. Eu acabei ficando com o oitavo lugar mas apenas um décimo de segundo atráz do quinto lugar, o que mostra a força do nosso pacote no circuito. De qualquer forma, tinha todas as razões para ficar feliz com o oitavo lugar.
Alguns pilotos disseram que o vento foi um fator na classificação. Isso te afetou?
Quando comecei minha volta rápida o vento me ajudou um pouco, mas quando terminei a volta o vento estava me atrapalhando. Indinanápolis é bem complicada por quê o vento pode mudar de direção muitas vezes durante uma volta. Mas foi a mesma situação para todos, por isso acho que ninguém pode usar isso como uma desculpa.
Isso dificulta a escolha da extensão das marchas?
Isso não complica a escolha da extensão das marchas pois estávamos em ótima forma e mesmo que existisse um vento contra e tivéssimos que seguir outro carro, os efeitos não seriam tão grandes quanto na classificação, onde você corre sozinho. Eu não acho que esse seja um grande problema.
Em Indianápolis, o longo trecho de aceleração máxima pede pouca pressão aerodinâmica, mas a pressão ajuda na parte com mais curvas. Qual o melhor acerto?
Na Indy, você precisa ser rápido nas retas mas também temos que escolher bons pneus para sermos rápidos na parte mais lenta. Para o nosso carro, acho que o acerto foi muito bom pois obtive boa velocidade na reta e um bom balanceamento na parte interior. Eu não diria que usamos pouca pressão aerodinâmica, acho que ficamos no meio do caminho. Pressão aerodinâmica muito baixa significa que você pode ser muito rápido nas retas, mas faz com que você derrape e deteriore os pneus, por isso acho que essa não é a melhor maneira.
Você sente o peso da história quando vem para Indianápolis?
Existe um sentimento de herança quando corremos em Indianápolis. Todo mundo conhece as 500 milhas de Indianápolis, que é muito grande, como as 24 horas de Le Mans. Estou feliz de correr na Indy mas o circuito da F1 não é o melhor que temos no calendário, embora o povo americano faça muito esforço para curtir a Formula1. Todos parecem muito felizes.
Você costumava asssistir as 500 milhas quando era mais novo?
Eu nunca assisti as 500 milhas quando era mais novo. Para ser honesto, antes de ganhar uma bolsa de estudos para a Elf Winfield School, eu havia assistido algumas corridas da F1 mas não tinha idéia do que era a Formula Renault ou Formula 3. E quanto a Indy… não tinha nem idéia! Acho que a primeira vez que vi as 500 milhas foi quando estava na Formula Renault, 1989 mais ou menos.
Mas se você não assistia muito às corridas, o que fez você começar a praticar o kart?
Eu joguei futebol por muito tempo e num final de semana meu pai me levou a uma pista de kart, apeas para nos divertir. Eu adorei aquilo, foi tão bom que pedi meu pai para ir de novo. Depois disso fiz um teste com um kart profissional e fui muito bem. O cara disse, – tudo bem, acho que você deveria praticar isso -, então comecei a praticar. Eu tinha 13 anos. Eu gostava de corridas quando era mais novo mas nunca havia pensado em praticar. Mas quando comecei no kart eu gostei muito e parei de praticar todos os outros esportes.
Você fez muito trabalho promocional nos EUA antes do GP em Indianápolis?
Na quinta-feira antes da corrida, todos os pilotos fizeram uma sessão de entrevista e distribuiram autógrafos para os fãs numa área especial criada para isso. Acho que é uma boa idéia. Nós só fazemos isso na Indy, mas acho que funciona. Fazendo isso ganhamos respeito dos espectadores e geramos um ambiente fantástico para a F1.
Os pilotos americanos fazem muito isso, e vendem uma grande quantidade de material de propaganda!
O gerente do Cristiano sabe sobre os negócios da América e me falou tudo sobre os produtos da Nascar e a quantidade das vendas. Eu não podia acreditar! É muito dinheiro, mas acho que envolver o público em coisas como sessões de autógrafo ajuda. Eles estão dando algo quando você vem assistir, e você dá algo de volta. Dessa maneira todos aproveitam mais.
Abrir a transmissão de rádio das equipes da F1 para a TV e espectadores, como é feito na NASCAR, foi mencionado novamente em Indianápolis. O que você acha da idéia?
É mais divertido para todos, não vou dizer que não é uma boa idéia. Tenho certeza de que algumas pessoas não vão querer, acho que temos que abrir nossas cabeças para novas idéias na F1. Temos que dar mais ao espectador. Não estou dizendo que os espectadores estão perdendo o interesse na F1 mas sempre é bom oferecer mais. Corridas melhoradas iriam ajudar mas esse ano não tem sido tão ruim. Algumas vezes, você precisaria controlar o que está sendo dito no rádio, porquê ocasionalmente os pilotos dizem coisas que não deviam, que provavelmente não poderiam ser ditas na TV.
Finalmente, você celebrou seu 150º GP na Indy, como você se sentiu?
Celebrar meu 150º GP em Indianápolis foi bom e a equipe produziu mercadorias especiais para esse evento, o que gostei muito. Houve uma pequena reunião no paddock na tarde de sábado depois da classificação e fiquei surpreso pelo número de pessoas que apareceram, até meu amigo Jarno Trulli foi lá. Nós comemos bolo e ganhamos presentes e tive que distribuir mais autógrafos, mas foi uma tarde muito divertida. 150 é apenas um número, apesar de sentir que tenho motivação e energia para mais 150! Estou ancioso pelo número 151 na França, meu GP em casa. Antes disso temos testes em Jerez para preparar para Magny-Cours e de la iremos para o festival GoodWood de velocidade no Reino Unido.