Num dia em que Michael Schumacher estabeleceu o melhor tempo já registrado em finais de semana de grande prêmio em Ímola, reacendendo a polêmica sobre a escalada da velocidade na Fórmula 1, Felipe Massa disse que o foco da questão está errado. Para o piloto da Sauber, que fechou o primeiro dia de treinos oficiais para o GP de San Marino em 15º lugar, três posições à frente do companheiro de equipe Giancarlo Fisichella, o problema é outro. “A discussão deve ser esta: a Fórmula 1 é segura ou não? Eu acho que é”, afirmou.
A volta do alemão da Ferrari melhorou em um segundo o recorde da pole, conquistado por ele mesmo em 2002, e ficou a apenas quatro décimos da marca mais rápida já cronometrada em Ímola – 1min19s664, obtida também pelo hexacampeão no último dia 25 de fevereiro em condições (temperatura ambiente e de pista) mais favoráveis. Massa virou hoje em 1min23s043 e igualmente se aproximou do melhor tempo da Sauber no circuito, em poder do alemão Heinz-Harald Frentzen desde a primeira sessão classificatória de 2003 – 1min22s531.
Max Mosley, presidente da FIA, recentemente emitiu sinais de que gostaria de ver a Fórmula 1 andando um pouco mais devagar e teria recomendado ao grupo técnico formado pelas equipes que apresentassem sugestões nesse sentido. Informalmente, os pilotos também têm sido consultados a respeito, mas na maioria desaprovaram a pretensão. “Há um ótimo, eu diria quase perfeito, equilíbrio entre velocidade e segurança na Fórmula 1. Os carros nos protegem mesmo nos acidentes mais sérios e as pistas estão cada vez mais seguras, com áreas de escape amplas e barreiras de pneus bem montadas. Eu me sinto seguro andando na Fórmula 1. Tive um acidente forte há dois meses, em Barcelona, e na semana seguinte, nos testes em Jerez, nem me lembrava mais”, recordou Massa.
O Grande Prêmio de San Marino está sendo realizado em meio a uma série de homenagens à memória de Ayrton Senna, morto há 10 anos em Ímola. Massa acredita que a tragédia envolvendo seu maior ícone na época serviu para acelerar os mecanismos de segurança na categoria. “Aquela, felizmente, foi a última morte verificada na Fórmula 1. Os carros e as pistas só melhoraram desde então. Nos dias de hoje, o Senna teria saído sozinho de dentro do carro, provavelmente sem um arranhão.”