Luca Marmorini ansioso para Bahrain

Luca Marmorini, Diretor Técnico de motor da Toyota, está ansioso para o Grande Prêmio inaugural do Reino de Bahrain e dá sua visão da temporada até agora…

Luca, qual a sua opinião sobre a corrida de Bahrain?

Eu acho, que junto com a corrida da China mais tarde na temporada, o Grande Prêmio de Bahrain é uma grande oportunidade e sem dúvida oferece às equipes e pilotos um dos maiores desafios do ano. Possivelmente pela primeira vez, a equipe Toyota pode entrar no final de semana na mesma situação que todos. Nós não temos informações da pista e temos que achar outras maneiras de nos prepararmos antes de entrarmos na pista na sexta-feira.

Do ponto de vista do motor, como a Toyota se preparou para Bahrain?

Teoricamente, nós podemos simular qualquer pista na fábrica de Colônia, mesmo se nunca estivemos lá e isso é exatamente o que tentamos fazer para Bahrain. Nós usamos simalção de veículos, o que pode nos dar uma boa indicação de como o motor irá responder ao circuito, por exemplo em termos de giros, aceleração, etc. Como o piloto irá usar o motor durante o final de semana é algo que não podemos prever. Nós também temos incertezas com relação ao ambiente, que em Bahrain será mais geral que em outra pista; nós temos possibilidades de vários ambientes e temperaturas de pista, assim como possibilidade de areia na pista. Nós estamos fazendo nosso melhor para prever o pior cenário, mas pela minha experiência, nossa previsão nunca é 100% correta. Dito isso, Eu acredito que teremos coletado informação o suficiente para estarmos prontos na manhã de sexta-feira.

Que processos de siulação são usados na fábrica?

Normalmente, se você tem um plano para a pista, você é capaz de simular o que um carro pode fazer. Isso leva em conta uma previsão do acerto do carro, feito pela nossa equipe de engenheiros. Nós também podemos simular alguma coisa com os pneus, e baseado nisso, podemos aplicar um ciclo no dinâmo do motor para ver como o motor irá reagir. Na verdade nós não temos que testar a confiabilidade do motor para todas as pistas pois temos alguns circuitos – como o velho Hockemheimring – que são bem agressivos com o motor, então preferimos fazer testes de confiabilidade gerais baseado no que já sabemos. É claro, nós temos que estar prontos para qualquer problema de direção que podem acontecer no último minuto e temos que estar preparados para ajudar a equipe em qualquer problema que apareça durante a corrida em qualquer ponto da pista.

A Toyota tem tido que aprender a maioria das pistas da F1 nos últimos anos. Você acha que a Toyota irá ter uma vantagem no final de semana de Bahrain?

Eu gostaria de pensar dessa forma pois a Toyota teve que aprender todos os circuitos da F1 nas últimas temporadas, nós podemos ter uma vantagem prática, em termos de aprendizado rápido. De qualquer maneira, nós não devemos esquecer que experiência é muito importante quando você tem que se adaptar a novas condições, então as equipes mais antigas devem ter vantagem nessa área.

O papel de terceiro piloto de Ricardo Zonta será mais crucial em Bahrain?

Eu acho que o trabalho de Ricardo é sempre importante. Nós podemos deixá-lo correndo livremente em condições bem similares às da corrida. Mais importante, nós podemos conservar a vida e confiabilidade do motor dos dois carros focalizando os testes de configuração no carro de Ricardo. Obiviamente, ter um terceiro carro é benéfico para a seleção de pneus Michelin, mas em Bahrain também poderemos usar Ricardo para verificar se tudo está funcionando na parte de motor, para localizar qualquer problema no início do final de semana e consertá-lo antes da classificação. Sempre tem algo a ser feito no último momento, não importa quanto nos preparamos, e ter um terceiro carro a nossa disposição é uma boa oportunidade para testar coisas não planejadas com mais liberdade.

De maneira geral, qual a sua impressão da temporada até agora?

As primeiras corridas marcaram a inttrodução da nova regra de motores e tenho que admitir que estou muito satisfeito com o nível de confiabilidade que adiquirimos até agora. Nos testes de pré-temporada nós focalizamos em completar distâncias de finais de semana de corrida e acho que podemos nos orgulhar do trabalho que fizemos. Na verdade, todo o pacote chassis/motor se mostrou muito confiável, mas a performance precisa ser trabalhada. Muitas coisas foram consertadas e o desenvolvimento continua, então as melhoras virão.

A Toyota impõe qualquer tipo de restrição nos motores durante o final de semana de corrida?

Normalmente temos uma estratégia pré-planejada para cada fim de semana de corrida para evitar o uso de muita vida do motor nas sextas-feiras. Nós temos a vantagem de usar um terceiro carro no treino de sexta-feira, então normalmente temos algum tipo de limitação nos carros durante o primeiro dia. Para o sábado e domingo nós temos um uso constante do motor a parte da opção de aumento de giros que oferecemos aos pilotos durante as classificações.

Já se passaram dois eventos com a nova regra de motores, como você acha que a regra de um motor por fim de semana tem funciondado?

Eu acredito que a nova regra tem funcionado muito bem de um ponto de vista técnico e não teve nenhuma influência negativa no show, que é importante. Ainda existe alguma confusão sobre a troca de motores depois da classificação, ou devo dizer antes da corrida, mas acho que um acordo deve ser feito sobre esse problema.

Quanta performance é perdida ao longo do fim de semana?

Um dos critérios mais importantes que usamos na criação do motor V10 é não ter uma perda de performance em longo termo. É inevitável que após 700 quilômetros, exista uma pequena redução no nível da performance, mas é nosso trabalho fazer que essa redução seja mínima, de outra maneira iríamos terminar a corrida com um motor com tempo de marchas incorreto. Com as regras modificadas de 2004, quando falamos na milhagem de um motor, significa a milhagem que um motor percorre com uma performance estável, em termos de consumo de óleo, consumo de combustível, etc.

Como o RVX-04 irá evoluir durante a temporada?

Nós temos vários passos planejados para o RVX-04 ao longo do ano. Nós não definimos um certo número de estratégias, mas estamos trabalhando em várias áreas. Uma das primeiras prioridades é a redução de peso, assim como melhora na performance. Ainda temos uma estratégia mais sofisticada para melhorar o uso do motor durante o fim de semana de corrida. Essas mudanças serão implantadas em breve, mas não temos nada especial para corridas em particular. Em paralelo a evolução do chassis, o departamento do motor está contribuindo diretamente no aumento da competitividade do carro, mas também para o próximo pacote, o abaixamento do centro de gravidade do carro e uma redução no peso do TF104 como um todo.

O trabalho no RVX-05 já começou?

O desenvolvimento do RVX-05 já havia começado no fim de 2003 e o novo motor da Toyota F1 deve estar pronta para testes por volta de Julho. Nós ainda estamos trabalhando nas partes principais e isso é um processo contínuo. Nós esperamos testar o novo modelo no dinâmo mais tarde esse ano para conseguir o máximo de milhas possível, mas devemos testá-lo num carro antes do fim da temporada. Em teoria, ele deve estar pronto para ser acoplado a um carro em Setembro, mas vamos investigar a possibilidade disso mais para frente.