Realizar mais provas na Ásia não significa que as equipes de Fórmula 1 vão continuar dependendo do patrocínio do tabaco, disse o chefe da Ford na Fórmula 1, Richard Parry Jones.
“O vôo para a Ásia não solucionará o problema”, disse ele à revista Autosport. “A Ford e outras empresas não querem ter ligação com um esporte que depende do tabaco para sua saúde comercial.”
As corridas na Ásia, com a China fazendo sua estréia este ano e a Índia também buscando a sua corrida, permite que a Fórmula 1 fuja das regras da União Européia contra os anúncios de tabaco.
A Áustria foi retirada do calendário da Fórmula 1 este ano e o GP de San Marino está ameaçado, já que a categoria deseja limitar os efeitos da legislação antitabaco da UE.
A UE estenderá a proibição de anúncios de cigarro para o rádio, a TV e a Internet no próximo ano. Além disso, a publicidade de tabaco não será permitida em competições esportivas com interesse internacional.
Metade das 10 equipes na Fórmula 1, incluindo McLaren e Ferrari, são patrocinadas por fabricantes de cigarro.
Os comentários de Parry Jones, dias depois de o Japão tornar-se o mais recente país a assinar a Convenção Mundial de Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde, refletem a posição de Frank Williams.
“Não queremos que a Fórmula 1 seja conhecida no mundo como uma indústria financiada pelo cigarro. Isso é ruim para as equipes sem propaganda de cigarro”, disse o chefe da equipe Williams no mês passado.
A equipe Williams acabou com todos os patrocínios de cigarro em seu carro em 2000 após anos de dependência.
EXPANSÃO GLOBAL
Já que a Europa busca distância das propagandas de cigarro, a categoria acaba se expandindo pelo mundo.
Assim como na China, o novo circuito de Barein fará sua estréia este ano. A Turquia deve entrar no calendário em breve e a Índia também quer ter a sua prova.
Um segundo GP nos EUA e um na Rússia também podem ser adicionados.
Apesar da posição antitabaco adotada por Ford e Williams, o empresário da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, diz que o esporte é tão dependente do dinheiro do cigarro que até mesmo uma grande equipe como a Ferrari passaria por problemas sem ele.
“Se perdermos o patrocínio do tabaco teremos uma ruptura na Fórmula 1”, disse ele ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung no mês passado. “As pessoas não percebem como isso será ruim.”