Bernie Ecclestone acredita na realização do GP do Bahrain em 2012

Tendo conseguido com que o circuito do Bahrain retornasse ao calendário da Fórmula 1 para a temporada de 2012, Bernie Ecclestone espera que desta vez a prova seja mesmo realizada depois do seu cancelamento nesta temporada. Contudo, o responsável pelo Mundial de F1 não descartou a possibilidade de não viajar para aquele país caso se confirmem violações dos direitos humanos.

Questionado pelo jornal britânico ‘The Guardian’ se estava a par do fato de médicos que trataram feridos dos motins estarem sendo presos, Ecclestone admitiu que lhe foi dada “a garantia de que não é isso que está acontecendo”.

“As pessoas que conheci lá são adoráveis. Mas sabem mesmo disso? Se isso for verdade, está errado. Obviamente. Médicos são médicos. Estão lá para ajudar as pessoas, não importa quem estejam ajudando. Deram-nos a garantia de que não é isso que está acontecendo”, afirmou.

“Na verdade, fizeram um relatório, alegadamente independente. Que é que esse relatório dizia? Sim, existiam algumas ocorrências, mas… eu queria ir lá. Ficaria contente por ir lá. Gostaria de ir à prisão ou ao hospital e perguntar: ‘O que é que aconteceu realmente? Perguntei (se o podia fazer). Eles disseram ‘não há problema’. O perigo é ir lá, eles porem-me numa limusine, levarem-me para o melhor hotel e para jantar e depois colocarem-me de volta no avião”, acrescentou, lembrando que a Fórmula 1 tem de passar ao lado de problemas políticos.

“Não é fácil. Mas aonde quer que vá, a partir do momento em que desço do avião e entre no país de alguém, temos de respeitar exatamente o seu estilo de vida – a sua religião, as suas leis ou que quer que seja. Não é correto chegar a um país e tentar mudá-los. Não vão. Se sabem que há alguma coisa de errado, fiquem longe. Saímos da África do Sul há anos atrás por causa do apartheid. Testemunhei coisas lá que me perturbaram. Pensei: ‘Assim não é forma de continuar’. Espero que possamos ir ao Bahrain sem problemas – que a corrida vá em frente, o público esteja feliz e não existam dramas. É o que espero que aconteça”, adiantou o britânico numa extensa entrevista.

Questionado se iria rever a sua posição caso tivesse provas irrefutáveis de comportamentos negativos do governo local, Ecclestone admitiu que “iria pensar seriamente nessa situação”.

“Mas estivemos na Argentina quando existiam grandes problemas. Tem havido problemas no Brasil. Coisas más acontecem lá. Penso que podemos olhar para qualquer lado e nem tudo é bom. Não se pode, realmente, olhar para a Inglaterra como sendo tudo de bom, né? Cometemos atrocidades terríveis”.