Pagar para testar um F1: bom negócio. Garantem jovens pilotos

Nunca antes na história da maior categoria de automobilismo mundial, o dinheiro foi fator tão decisivo na escolha dos pilotos. Exceto, talvez, nas 3 ou 4 escuderias consideradas ‘grandes’ – entre aspas, por que amanhã podem precisar de dinheiro e não serem mais tão grandes assim. Vide Williams -, onde ainda a escolha é feita exclusivamente pelo critério técnico, todas as outras equipes buscam um piloto que traga, de alguma forma, investimentos para a escuderia. Seja através de patrocínios utilizando o nome e fama ou, como tem sido mais comum, pagando descaradamente – casos de Maldonado, Petrov e tantos outros. Agora, com os testes para jovens pilotos na pista de Abu Dhabi, as escuderias aproveitam para faturar mais algumas centenas de milhares de dólares dos novatos que buscam sentar pela primeira vez em um fórmula 1.

É o caso de Stefano Coletti, piloto natural de Mônaco, que desembolsou alguns milhares de dólares para testar pela Toro Rosso em Abu Dhabi.

“É bom para o piloto obter experiência, porque do jeito que as coisas estão você não pode fazer isso o tempo todo”, comentou Coletti.

Aos 22 anos, Coletti não enxerga o teste como uma simples troca de dinheiro por horas dentro de um carro de F1. Para ele, tarefas importantes foram feitas em favor da equipe. “Fizemos um monte de testes”, cravou.

“É uma grande oportunidade para pilotos e se houver algum outro pensando em fazer isso, acho que deveria, porque a experiência que se adquire em um dia como esse, não se tem em outro lugar”, afirmou o monegasco.

Não foi só Coletti que pagou para participar dos treinos em Abu Dhabi. O espanhol Dani Clos também investiu alguns milhares de dólares no teste e admitiu abertamente ser “um dos pilotos que precisa parar para entrar em um Fórmula 1.”

“Mesmo se você ganhar a GP2 terá que pagar. Hoje em dia as equipe precisam do dinheiro. Não é mais suficiente ser talentoso”, disse Clos.

Aos 23 anos, Clos parece entender bem o mundo de negócios que envolveu a categoria, e fala sem rodeios sobre o destino e os “porquês” dos pagamentos.

“Se você é talentoso, perfeito. Se ganhar, perfeito. Mas também têm que ter alguém pressionando por você economicamente As equipes precisam desse dinheiro para sobreviver e trazer coisas novas para o carro”, argumentou.

O jovem espanhol não parece ter problemas em falar o que pensa. Para ele, há sempre um piloto rápido e com dinheiro pronto para chegar à F1, e a fila só cresce, já que alguns pilotos mais antigos não saem da categoria.

“Alguns pilotos na Fórmula 1 precisam começar a pensar em sair, pois eles estão lá faz muitos anos e há jovens que estão esperando para chegar”, fuzilou o jovem espanhol.