Andy Soucek: “Para chegar à F1 não basta apenas ser bom”

Andy Soucek, ex-piloto de testes da Virgin, cargo que Álvaro Parente também desempenhou ainda na fase inicial da existência da equipe, admite que o talento já não é o requisito mais importante para se estar na Fórmula 1, lamentando que a vertente econômica se tenha imposto sobre as qualidades como piloto. Esta posição do espanhol surge pouco tempo depois de também Christian Klien ter admitido que os pilotos europeus estão em grande dificuldade face a pilotos de mercados emergentes e mais abonados financeiramente.

“Estou negociando com várias equipes, algumas para ser piloto titular, outras para ser o terceiro piloto. Na verdade, nunca deixei de procurar desde que deixei a Virgin. Tive contatos com várias equipes e, com algumas, as negociações prosseguem. Dizer nomes, quando nada está certo, poderia criar tensões”, disse Soucek ao jornal espanhol ‘As’, destacando as dificuldades que tem sentido na sua demanda da chegar à F1.

“Sendo um piloto que sempre teve patrocinadores e apoios, encontro-me agora com um problema. Na situação atual, em que há uma paralisação da economia mundial e as empresas cortam no marketing e no patrocínio, há certos pilotos que contam com o apoio não só de empresas e empresários, mas também de forças políticas e até de países. (Mikhail) Aleshin, (Pastor) Maldonado ou (Sérgio) Pérez, que considero bons pilotos, chegaram à Fórmula 1 ou estão muito perto por causa dos seus méritos, mas também porque trazem consigo um apoio insuperável”, é citado Soucek.

“Colocaram uns preços inacessíveis para os ‘normais’. Se antes, para conseguir um lugar, tínhamos de ter cinco milhões de euros em patrocínios, agora pedem até nove porque há três pilotos que ofereceram mais do que o pedido inicial. Isso deixa-nos, a pilotos como eu ou o (Pedro) De la Rosa, que temos um bom desempenho e que deveríamos estar na esfera da F1 por mérito, numa situação limite e quase impossível. Ganha a F3, a F2, faz um primeiro teste com a Williams, passa anos em luta na GP2, Superleague e ao compará-lo com o desempenho de pilotos que estão na F1 vê-se que não têm esses méritos. No final, não basta apenas ser bom”, acrescentou.

“Com a crise atual, a lei da oferta e da procura na F1 alterou-se inversamente ao resto do mercado. As casas baixam de preço para que as pessoas as comprem, mas na F1 sobem porque há três, quatro ou cinco pilotos que oferecem quantias maiores do que as que pediam anteriormente”, observa ainda, embora compreenda que “as equipes estão em situações muito precárias e necessitam desesperadamente do dinheiro do piloto”.