Por Luís Joly
O Grande Prêmio do Brasil, mais uma vez, provou ser uma das corridas mais emocionantes da temporada. Apesar do título não ter sido decidido aqui, a corrida valeu a pena, sem chuva, mas com muitas ultrapassagens – parte, diga-se, com o mérito do safety car, que entrou após acidente e embolou todo o grid.
Interlagos, infelizmente, perde em outros aspectos. No entorno do circuito, na estrutura da cidade, na violência – Jenson Button foi vítima de uma tentativa de assalto no sábado – e, especialmente, nas acomodações do autódromo. A Fórmula 1 vive um período de transição em seus circuitos. Ao longo dos últimos anos, foram várias corridas novas, em autódromos moderníssimos, que trazem toda a exigência cada vez maior de Bernie Ecclestone, o chefão da F-1, e das equipes.
A pista de São Paulo não é das mais antigas, como Monza, Silverstone ou Spa. Mas isso não quer dizer que seja nova. Pelo contrário, já havia corridas em Interlagos antes mesmo da F-1 ser criada. Como muitas outras áreas de São Paulo, o espaço simplesmente parou no tempo. Sem planejamento, tudo ficou defasado. Tudo, menos o traçado, que ainda sustenta a corrida. Mas Spa, a pista favorita de 9 entre 10 pilotos, é prova de que apenas o traçado não sustenta um Grande Prêmio.
Ao longo de toda a pista, percebe-se um falso cuidado. Embora a pista ganhe requintes de beleza, com flores, gramados e zebras pintadas, o que está por trás é concreto velho, arquibancadas temporárias e péssimas condições de transporte para chegar ao autódromo.
A Prefeitura promete uma repaginada na pista. A área do Paddock será totalmente refeita, ampliada e modernizada. Os boxes, apertados e estreitos, serão alargados. Porém, isso é uma obra que custará caro e exigirá tempo. E a fila de circuitos que querem entrar para a F-1 é extensa. Roma, Nova Iorque, Rússia… Especialmente nos países emergentes e sustentados por petróleo, há cada vez mais interesse por parte da F-1. Interlagos que se cuide.
RETA OPOSTA
Jogo de equipe?
Dizem que o esporte venceu. Mas a Red Bull proteger Vettel o ano inteiro não é um jogo de equipe?
Lotus?
Bruno Senna ainda não mostrou talento, mas o sobrenome continua atraindo a mídia. Agora ele está na Lotus para o ano que vem. Aliás, Lotus que pode mudar de nome.
Cigarro
Alguém me responde essa: se a F-1 não mostra mais propagandas de cigarro, por que ainda temos de ver aquelas vinhetas chatas com os malefícios do cigarro na TV?