Elemento fundamental de toda a polêmica que envolveu a Renault nestas duas últimas semanas, Nelsinho Piquet admite que o seu envolvimento no caso da viciação do resultado do GP de Cingapura foi extremamente prejudicial para a sua carreira e admite mesmo que terá de começar de novo a partir do zero.
“Estou satisfeito pela investigação da FIA ter chegado ao fim. As pessoas que gerem atualmente a ING Renault F1 tomaram a decisão, como eu fiz, de que é melhor ficar conhecendo a verdade e aceitar as conseqüências. O ponto mais positivo de chamar a atenção da FIA para isto é que nada de semelhante irá se repetir”, diz o piloto num comunicado colocado no seu site pessoal.
“Arrependo-me seriamente de ter seguido as ordens que recebi. Todos os dias desejo não o ter feito. Não sei até que ponto a minha explicação fará as pessoas compreenderem, porque para muitos, ser um piloto é um privilégio fantástico, tal como era para mim. Tudo o que eu posso dizer é que a minha situação na Renault se tornou um pesadelo. Tendo sonhado em ser um piloto de F1 e tendo trabalhado arduamente para chegar lá, encontrei-me à mercê do Sr. Briatore. O seu verdadeiro caráter, que anteriormente apenas era conhecido por aqueles que ele havia tratado assim, é agora conhecido”, diz o comunicado.
“O Sr. Briatore era o meu empresário bem como diretor de equipe, ele tinha o meu futuro na Fórmula 1 nas mãos, mas ele não se preocupava com isso. Na época do GP de Cingapura, ele isolou-me e guiou-me ao ponto mais baixo da minha vida. Agora que estou fora desta situação, não consigo acreditar que concordei com este plano, mas quando me foi explicado senti que não estava em posição de recusar. Ouvindo agora a reação do Sr. Briatore ao meu acidente e ouvindo os comentários que ele fez na imprensa nas últimas duas semanas, tornou-se claro para mim que eu estava simplesmente sendo utilizado por ele, para depois ser descartado e exposto ao ridículo”, continua a declaração.
“Tive que aprender algumas lições muito difíceis nestes últimos 12 meses e reconsiderar o que é importante na vida. O que não mudou foi o meu amor pela Fórmula 1 e a vontade de correr outra vez. Percebo que tenho de começar a minha carreira do zero. Só posso esperar que alguma equipe reconheça o quão mal eu fui tratado na Renault e me dê uma oportunidade de mostrar o que prometi na minha carreira na F-3 e na GP2. Aquilo que posso assegurar é que não existe nenhum piloto na F1 tão determinado como eu em mostrar o seu valor”, acrescenta o brasileiro, lamentando que as suas ações provavelmente o tenham afastado da F1.
“Finalmente, acerca deste assunto, gostaria de repetir que estou muito triste por todos aqueles que trabalham na Fórmula 1 (incluindo muita gente boa na Renault), aos fãs e à entidade governativa (FIA). Não espero ser perdoado ou que esqueçam o que fiz, mas ao menos agora as pessoas podem tirar as suas próprias conclusões baseado apenas no que realmente aconteceu”.