Por José Neto
Jean Todt revelou os detalhes de sua campanha eleitoral para a presidência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), através de uma carta aos membros da entidade, na qual falava que o seu principal objetivo é reforçar a transparência nos processos de decisão da FIA.
“No nosso manifesto eleitoral apresentado no mês passado, comprometemo-nos a realizar uma revisão completa dos estatutos da FIA. Nesta carta, gostaríamos de explicar alguns dos assuntos a serem incluídos na revisão que sugerimos, porque acreditamos que melhorariam a transparência, o espírito democrático e a eficácia da nossa Federação”, começa.
“Se formos eleitos, propomos a criação de um Comitê Especial de Revisão dos Estatutos presidida pelos dois vice-presidentes da FIA. A Comissão terá a responsabilidade de analisar os estatutos atuais e preparar um relatório com as propostas de alteração, que em seguida será avaliado por todos os membros da FIA. Depois desta consulta, as alterações propostas poderiam ser submetidas a uma Assembléia geral Extraordinária a ser realizada no próximo verão ou durante a Assembléia geral anual de 2010. Considerando que somos uma organização com mais de 100 anos, é inevitável que os estatutos exijam uma revisão de tempos a tempos de forma a assegurar que a organização satisfaz as necessidades dos clubes-membros”, acrescenta.
Entre suas propostas de alteração, Todt propõe modificar o sistema de eleição presidencial (artigo 9), que obriga os candidatos a revelarem a sua lista antes da eleição, o francês referi que o sistema atual de listas merece algumas críticas. “No ano passado, chegou-se a um compromisso e propôs-se um sistema de “listas abreviadas” à Assembléia geral, mas de forma inesperada não foi aprovado por apenas um voto. “Propomos que se volte a considerar este assunto e que se discuta mais detalhadamente a criação de um sistema de listas curtas similares às do ano passado”.
Além disso, também o papel dos vice-presidentes da FIA (artigo 19) deveria ser mais claro, com a equipe de Todt a propor “a atribuição de um papel regional específico. Cada região do mundo, por exemplo, poderia ter um vice-presidente para o desporto e um vice-presidente para a mobilidade. (…) Os vice-presidentes regionais poderiam contribuir para a cooperação entre os dois setores, desporto e mobilidade, e assegurar a existência de representantes em todas as grandes regiões do mundo. Neste momento, não existe nenhum potencial candidato a vice-presidente da mobilidade no Médio-Oriente e na África, apesar dessas regiões estarem crescendo e contarem com clubes cada vez mais ativos”.
Reunindo todas as alterações, Todt propõe ainda alterações no tribunal de Apelo Internacional: “No nosso programa eleitoral propusemos a criação de um Comitê disciplinar que poderia se encarregar de casos específicos propostos pelo Conselho Mundial do Desporto Automóvel. Além disso, como conseqüência das negociações acerca do novo Pacto da Concórdia, vamos propor modificações nos procedimentos do Tribunal de Apelação internacional. Nos casos relativos à Fórmula 1, no futuro, os juízes que avaliarem os apelos serão escolhidos a partir do painel do TAI e também de um painel eleito pelas equipes de Fórmula 1. Na atualidade, os membros têm o direito exclusivo de nomear os juízes que serão membros do Tribunal. Ainda que pensem que não, cremos firmemente que isto compromete a sua independência. Não obstante para assegurar que o sistema de apelo seja completamente independente, poderemos estudar a possibilidade de permitir aos competidores de todos os principais campeonatos mundiais da FIA nomear juízes para este Tribunal, quem sabe, através da Associação de Construtores”.