Whitmarsh: “Desperdiçamos muito dinheiro com o KERS”

Defendido por muitos no início da temporada como um sistema inovador, o KERS (dispositivo de recuperação de energia cinética) acabou sendo gradualmente abandonado pelas equipes que iniciaram o ano com ele.

Primeiro, a Renault, depois a BMW, e mais recentemente a McLaren, todas elas renunciaram ao KERS em detrimento de soluções mais convencionais para o desenvolvimento dos seus carros. Para Martin Whitmarsh, diretor da equipe McLaren, a rejeição do KERS deve-se a uma série de circunstâncias negativas, ‘empurrando’ o sistema para fora da Fórmula 1, começando pelas verbas gastas no seu desenvolvimento.

“O conceito do KERS era, provavelmente, o certo para a F1, mas há cerca de dois anos, em Silverstone, parecia que estava fugindo do controle em termos técnicos e todas as equipes, exceto a Williams, concordaram em abandoná-lo. No final do ano passado, foram todas as equipes exceto a BMW. Nessas duas ocasiões estávamos preparados para nos livrarmos dele”, afirmou Whitmarsh.

“Os regulamentos são desafiantes no sentido em que desenvolver o sistema KERS dentro dos limites de peso da F1, com potência e limitações de energia, e ainda ter (ganhos na) performance é difícil. E se olharmos para trás, esta indústria desperdiçou muito dinheiro nesta área, em especial se não vamos correr com o sistema na próxima temporada”, continuou, lembrando que o KERS será rejeitado na íntegra para 2010.

“A posição da McLaren e da Mercedes é que se chegamos até aqui deveríamos continuar com o KERS, mas graças ao espírito de cooperação que existe agora na F1 com a FOTA, não iremos bloquear esta decisão. A maioria das equipes quer acabar com ele e é uma pena para nós porque nos empenhamos bastante no KERS, com o acréscimo de nos distrair no processo de concepção e desenvolvimento deste carro”, explicou, referindo que os problemas do MP4-24 se devem a “uma tempestade perfeita de questões”.

“Sendo o mais correto possível, não fomos tão ‘aventureiros’ na interpretação do nosso difusor, e isso limitou-nos na nossa resposta. Estávamos muito atrás no desenvolvimento do conceito aerodinâmico geral e colocamos muitos dos nossos esforços no KERS porque a F1 estava forçada a usá-lo. Olhando para trás, podíamos ter tomado decisões diferentes, mas é assim que as retrospectivas funcionam”, observou.