Em entrevista, Barrichello afirma que entra para “ganhar” em 2009

Por Giovanni Romão

O brasileiro Rubens Barrichello, confirmado na última quinta-feira como companheiro de Jenson Button na equipe Brawn GP, anunciada no mesmo dia, concedeu uma entrevista a rádio Jovem Pan e falou sobre toda caminhada até a assinatura do contrato, as expectativas para o mundial 2009, o relacionamento com Bruno Senna e a magoa com a imprensa.

Mesmo sem saber qual o nível do novo carro para o mundial que começa no dia 29 de março, na Austrália, Barrichello demonstra confiança. “Eu entro para ganhar nesta temporada. Não entro para aumentar meu número de participação. Se tiver um carro competitivo vou usar minha experiência para ir para cima”, afirma. “Talvez as pessoas não saibam o quanto rápido eu sou, mas o Ross (Brawn) sabe”, completa.

Confira alguns trechos da entrevista do brasileiro

Depois do GP Brasil de 2008

As primeiras semanas após o GP Brasil foram serenas, sem muitos acontecimentos. Sabia que não estaria nos primeiros testes da equipe, em Barcelona, mas poderia estar nos testes de Jerez. Comecei a me focar na academia, com o objetivo de perder peso e desta forma mostrar para os dirigentes da equipe meu interesse em guiar.

Teste em Jerez e saída da Honda

Tinha sido convocado para os testes de Jerez. O teste do Bruno Senna havia sido muito bom em Barcelona, mas o pessoal de certa forma sabia que o Jenson Button não estava se adaptando muito bem aos pneus sliks naquele momento; Então nada melhor do que fazer um confronto direto. Soube da saída da Honda duas horas antes do anuncio oficial. Foi um choque para mim, como foi para todo mundo.

Possibilidade na USF1

Tudo que soube sobre a USF1, soube pela imprensa. Verdade que sempre tive um contato muito próximo com Peter Hunter, que é um repórter consagrado na F1, e é uma pessoa de bom gosto com quem converso. Mas um contato de que teria falado sobre a possibilidade na equipe; isso não aconteceu.

Meses de incertezas e boatos

Acho que foi criada uma imagem do personagem, no caso o Rubinho, algo diferente do que era real. Com o silêncio eu me mantive tranquilo. Quando eu falava, inclusive para alguns amigos, que mantinha chances de pilotos, eles mesmos já não acreditavam. Meu contato com o Ross Brawn foi intenso. Era uma vez por semana e ele disse que se estive nas mãos dele eu seria o escolhido. O Bruno seria contratado de imediato se chegasse e, assim como o Hamilton, andasse a frente logo de cara. Ele tinha chance de ser contratado, mas a história comigo continuava.

Confirmação do “fico”

Na semana passada foi o momento chave, quando recebi a ligação do Ross. As cartas estavam na mesa, mas nem mesmo o Brawn sabia, até por que ele queria ter vendido a equipe e teve que tomar outro rumo nesta reta final. A coisa ficou parada por muito tempo. Na semana passada ele me ligou, para dizer que as coisas estavam acontecendo, e ele me chamou para posição de banco. Naquele momento não contei nem para o meu pai. Apenas virei e abracei minha esposa, que foi quem viveu este momento comigo.

Mágoa com a imprensa

Não é a imprensa de forma geral. São algumas pessoas que acabaram escrevendo coisas e quem acaba perdendo com isso é o leitor do jornal ou site de internet. Uma entrevista com o Bruno Senna, dizendo que existia três anos de contratado, sendo que a Brawn só foi criada na última terça-feira, mostra que foi algo irresponsável. Dou valor aos jornalistas que vão atrás, que buscam saber. Tenho vontade de que o público saiba de tudo e que procure sites decentes para encontram as informações corretas.

Carro 2009

A Mercedes sempre deixou claro que existia uma data limite para passar as informações e para que a equipe Brawn fosse atrás do dinheiro e receber os motores, que chegaram na fábrica em dezembro. Vejo um carro bom. Mas você pode perguntar, “você está prometendo algo sem mesmo ter sentado no carro?”. Mas eu posso dizer que é o melhor carro já feito pela equipe, antes Honda, nos últimos três anos. Podemos sofrer no começo do campeonato, pela falta de treinos, mas temos um carro forte.

Mudanças internas

Quando entrei na equipe Honda senti que as informações passavam por muita gente, até chegar na pessoa que interessada. Era uma equipe complicada. Agora, o time ganha em qualidade, as decisões serão tomadas de forma mais fáceis. É um momento bom para a equipe! Vejo um time com experiência e acredito que temos muita qualidade. Temos um motor competitivo e há muitas maneiras de ver o carro rendendo e melhorando.

Falta do KERS

Tenho conversado com muita gente. Passei o tempo do shakedown nesta sexta-feira conversando com alguns dirigentes da Mercedes, que são mesmo que levam os motores até a McLaren. Você apertando o botão do Kers ganha cerca de 70 cavalos de potencia no carro, mas ao mesmo tempo acaba enfrentando problemas com a distribuição do peso. O Kers não começou com o pé esquerdo, mas ainda há um temo de insegurança. No entanto, ele vem sendo muito bem trabalhado pelos engenheiros para que seja um atrativo a mais ao público. Então, eu vejo uma Fórmula 1 mais versátil, com uma chance de ultrapassagem melhor, devido ao ganho mecânico do pneus slicks. Por um começo de ano meio conturbado com algumas quebras, poderemos ter surpresas.

Relacionamento com Bruno Senna

Logicamente o Bruno (Senna), com sua vontade imensa de guiar um F1, deva mesmo ter ficado chateado. Não existe nenhuma mágoa e sempre adorei a família Senna. Liguei para ele agora, mas não consegui falar. Acredito que ele vai chegar na F1, tem um talento imenso, mas hoje ele poderia ser queimado mais facilmente.