Artigo – Fênix: Uma lenda viva

Por Giovanni Romão

Era 1995. Ao final de seu terceiro ano na Fórmula 1 e pouco mais de um ano após o fato que considera até hoje o mais traumático da sua carreira, a morte do amigo e mentor Ayrton Senna, Rubens Barrichello queria um novo desafio. A Jordan não tinha mais há oferecer.

Negociações rolaram e o brasileiro, então uma esperança de levar o Brasil de volta ao topo da categoria, estava próximo de assinar com a Benetton. O time dirigido por Flávio Briatore perderia ao final do ano seu principal piloto, o alemão Michael Schumacher, que se tornaria bicampeão naquele ano.

Barrichello era dado como certo. Um pré-contrato estava assinado. Não havia erro na negociação. Na noite que antecedeu a assinatura do contrato final o telefone tocou. Berger seria o substituto de Schumacher na Benetton e para isso aceitou receber metade do salário que seria destinado a Barrichello. A Jordan foi o refúgio por mais um ano.

14 anos depois, agora um veterano e com nove vitórias na categoria – sem mais carregar o peso de uma torcida ainda sedenta por título, Barrichello vive situação inversa.

Quando a estrutura ainda era Honda e a temporada 2008 caminhava para o seu final, Barrichello deu início às negociações para renovar seu vinculo. Jenson Button era dado como certo.

Dentro da equipe japonesa surgiram duas correntes. A maior delas encabeçada por Nick Fry – desafeto de Barrichello nos bastidores – defendia um sangue novo ao time. Contava com o apoio da alta cúpula japonesa. De outro lado, uma corrente enfraquecida “de vozes”, mas encabeçada por Ross Brawn.

A luta começou. Barrichello foi “prematuramente” descartado da vaga, que se delimitou a Lucas di Grassi e Bruno Senna. O primeiro não andou bem no primeiro teste e deixou a disputa. Brawn insistiu e a Honda cedeu. Mais um teste aconteceria com Senna em Barcelona. Desta vez, Barrichello participaria. Ross queria mostrar o quanto seria importante a experiência do ex-piloto da Ferrari para o time, em um ano de mudanças profundas no regulamento técnico. Não houve tempo.

Veio a crise econômica e com ela mudanças drásticas. Barrichello, por exemplo, recebeu um telefonema – novamente, um telefonema – e a notícia era: “Dentro de 20 minutos vai estar na mídia a retirada da Honda da F1!”.

Um baque não só para Rubinho, mas para Bruno Senna, Ross Brawn, Button, Fry e companhia. Começaria uma novela de três meses. Barrichello estava fora de cogitação, Button seria um dos pilotos caso alguém adquirisse os espólios do time japonês e Senna o segundo ocupante. Isso era dado como certo. Até o carnaval.

Mais uma reviravolta e veio a cartada final. Brawn, com o apoio de entidades ligadas a categoria e injeção de dinheiro vindo de grandes empresários, tomou frente e assumiu o controle do time. Fry perde força. Senna também. Barrichello renasce. Ou melhor, ressurge das cinzas, como o pássaro da mitologia grega e egípcia que após uma auto-combustão ganhava novamente a vida.

A novela que durou três meses teve seu desfecho em duas semanas. Surgiu a Brawn GP e as vontades de Ross prevaleceram. Button nunca teve concorrência e Barrichello virou o jogo no segundo tempo da prorrogação.

Agora, com um orçamento de 170 milhões de dólares, resta saber o que será do novo time na temporada 2009.

Ah! Antes disso ainda houve um novo telefonema. Desta vez positivo. Barrichello passava férias nos EUA quando foi chamado para comparecer o mais rápido possível na Inglaterra. Beijo na esposa e nos filhos e o recomeço de algo que ainda não terminou…