Alex Wurz narra volta no circuito japonês

“O Fuji Speedway é um grande desafio para o piloto. É provavelmente mais difícil conseguir um bom tempo de volta aqui do que em Suzuka, que é uma pista de maior velocidade e que exige mais coragem. Você precisa ser muito suave com o carro em Fuji, já que um pequeno erro no sinuoso setor final pode lhe custar 0,5 s.

“A razão pela qual os erros são punidos tão severamente em Fuji é a falta de pressão aerodinâmica dos carros. É uma pista sinuosa, mas você não pode andar com os níveis de asa de Mônaco porque fica lento demais na reta dos boxes, de 1,5 km. Quando você acrescenta o asfalto muito escorregadio a este compromisso aerodinâmico, acaba com um circuito bastante complicado.

“Você chega na curva 1 a mais de 306 km/h (190 mph). O ponto de frenagem é imediatamente antes da placa de 100 metros e você reduz de sétima para primeira marcha. A curva é ligeiramente em descida, por isso é fácil travar as rodas e perder a tangência. Você então pisa no acelerador até o fundo na saída e pega uma pequena curva aberta antes de chegar à curva 3, para a esquerda e manhosa. É uma curva cega, e você tem de jogar o carro sobre a zebra interna para ser rápido. Se perder a tangência só por 10 cm, você vai pega a grama na saída.

“Em seguida vem a melhor curva da volta, a seqüência das curvas 4 e 5, longa para a esquerda. É uma curva de tangência dupla que, dependendo do que você quer, é feita de pé cravado em quinta marcha. Às vezes, uma ligeira aliviada no meio da curva pode facilitar a vida do pneu dianteiro esquerdo, e isso ajuda a manter o carro por dentro, o que lhe dá uma linha melhor para a próxima curva. O que quer que você faça aqui, é uma curva de alta velocidade e você está puxando muitos Gs, por isso ela é divertida.

“A curva 6, para a esquerda, é feita em terceira marcha, e você se aproxima dela passando pelo topo de uma colina, o que a torna cega. Se levantou o pé na curva 5 e tem o carro bem no lado direito da pista na aproximação, você pode ser muito mais rápido. Depois vêm duas curvas leves antes de você frear forte para a chicane de primeira marcha, na curva 10. Os níveis de aderência são melhores no lado interno, por isso é interessante manter uma linha bem fechada. Você então tem um pequeno surto de aceleração antes de virar para a esquerda em uma curva de saída muito escorregadia. Você pode mudar para segunda marcha para patinar menos na aceleração. Segue-se outra curva aberta, mas suficiente para ser um problema sem o controle de tração, neste ano.

“Agora você entra na seção final da volta, onde quatro curvas estão totalmente interligadas. Se fizer um erro na primeira, você fica com esse déficit de velocidade até a curva final. Por isso, é importante ser muito preciso com sua linha. A primeira delas é a curva 13, cuja aproximação é feita passando-se pelo topo de uma colina. A traseira fica muito leve e, embora ela seja somente uma curva para a direita feita em terceira marcha, você tem de ser muito suave com o carro. Então você está nas curvas para a esquerda antes de subir uma colina para a curva 16, que é a última do traçado. Você precisa encontrar um bom ritmo aqui, para assegurar conseguir uma boa saída para a longa reta dos boxes.

“As condições meteorológicas podem ter uma influência enorme no final de semana de Fuji. No ano passado choveu durante todo o final de semana, e mais uma vez a chuva é dada como certa em algum momento deste final de semana. Espero que não esteja excessivamente nublado, pois eu adoro as montanhas e é ótimo ver o Monte Fuji. Eu o vi algumas vezes no passado, e é uma das montanhas mais assombrosas do planeta. Toda manhã eu acordo empolgado para abrir as cortinas, querendo ver se a montanha está visível ou oculta pelas nuvens.”