Apelação: Juízes ouvem advogado da McLaren

Por Victor D. Berto

Lewis Hamilton está presente na Corte Internacional de Apelação, em Paris, para tentar reverter sua punição, que tirou sua vitória do GP da Bélgica.

Hamilton passou as duas primeiras horas ouvindo os advogados da McLaren debaterem porque a apelação da McLaren é, inicialmente, admissível.

De acordo com o regulamento da FIA, a punição de drive-through não é suscetível de apelação. No entanto, o advogado da McLaren, Mark Philips, disse que já que o drive-through não foi realizado – Hamilton não atravessou o pit-lane para cumprir sua punição – foi adicionado tempo ao resultado final da prova, o que pode ser protestado.

Philips apontou que depois do GP do Japão, na última temporada, um apelação foi ouvida quando Vitantonio Liuzzi, na Toro Rosso, recebeu 25 segundos de punição depois da corrida por ultrapassar Adrian Sutil, da Spyker, sob bandeiras amarelas. O advogado, que agiu pela Spyker naquele caso, venceu, permitindo que a equipe marcasse seu único ponto da temporada.

Os cinco juízes – Xavier Conesa (Espanha), Philippe Narmino (Mônaco), Erich Sedelmayer (Áustria), Harry Duijm (Holanda) and Thierry Julliard (Suíça) – debaterão à noite sobre os méritos.

Se os juízes aceitarem a apelação, eles discutirão sobre a manobra realizada na chicane Bus Stop no final da volta 42.

O argumento de Philips diz: “Milhões de pessoas assistiram Lewis Hamilton recebendo a bandeira quadriculada em Spa no dia 7 de setembro. Milhões de pessoas viram Lewis Hamilton como o mais rápido na pista no momento em que a chuva começou a cair. Naquele momento, tornou-se uma questão de quando, e não se, ele poderia ultrapassar Raikkonen. No molhado, Kimi Raikkonen estava sofrendo.

“A maior parte do mundo viu Lewis Hamilton no pódio recebendo o troféu, e então na coletiva de imprensa, depois da corrida. Cerca de duas horas depois, os comissários decidiram adicionar 25 segundos ao tempo de corrida de Lewis Hamilton, então rebaixando ele de primeiro para terceiro. Os comissários disseram que Lewis Hamilton cortou a chicane e ganhou vantagem. A evidencia mostrará que Lewis Hamilton devolveu esta vantagem para Kimi Raikkonen.

“Quando eles cruzaram a linha, Hamilton estava 6,7 quilômetros por hora mais lento e, certa de sete metros atrás dele. Se ele tivesse ficado atrás de Raikkonen durante a chicane e na reta, ele teria passado de qualquer forma na Curva 1. Mas Lewis Hamilton não teve outra escolha a não ser pegar a área de escape, uma decisão que fez no último segundo pela chicane. A sugestão que ele poderia ter freado e diminuído é simplesmente errada. Se Kimi Raikkonen não tivesse forçado ele a ir por fora da pista, ele poderia ter ultrapassado na reta.”

Depois, a corte ouviu uma gravação de um diálogo entre Dave Ryan, diretor-esportivo da McLaren, e o diretor de prova, Charlie Whiting.

Ryan: “Você acredita que foi certo? Ele devolveu a posição.”

Whiting: “Eu acredito que foi. Sim.”

Ryan: “Você acredita que foi certo.”

Whiting: “Eu acredito que foi certo.”

Esta pode ser a prova crucial se os juízes concordarem que a apelação é admissível.

O piloto Lewis Hamilton terá a oportunidade de falar sobre o caso para a corte durante à tarde, logo após o almoço.

Se McLaren e Hamilton vencer o caso, Hamilton disputará as quatro últimas etapas da temporada com sete pontos de vantagem sobre Felipe Massa, ao invés do único ponto atual.