“Spa-Francorchamps é um circuito à moda antiga, o que o faz ser muito interessante. Ele tem tudo o que você pode querer: colinas, curvas de alta e retas longas. É sempre interessante ir lá, embora o clima seja realmente imprevisível. No espaço de 10 minutos um sol brilhante pode se transformar em chuva pesada, o que faz com que correr em Spa seja um pouquinho mais enervante e difícil.
“A volta é incrivelmente longa e, em termos gerais, muito rápida. Existe apenas um trecho curto antes da primeira curva, La Source, e a saída é a única coisa que importa aqui, porque você carrega sua velocidade por toda a subida, até a Les Combes. A Eau Rouge é feita de pé embaixo nos carros com motor V8, mas você precisa ser inteligente na forma como faz isso. Se virar o volante demais você mata sua velocidade, porque cria atrito demais nos pneus.
“Você acelera tudo na reta até a Les Combes, e não freia até chegar ao final da zebra da esquerda, o que é cerca de 60 metros. Esta é uma seqüência direita-esquerda-direita, totalmente interligada. Por isso, você não pode exagerar na primeira curva para a direita, que é feita em terceira marcha, porque isso estraga sua linha para as próximas duas curvas. Se fizer isso, você perde pelo menos meio segundo.
“Na descida para o grampo da Rivage, a curva 8, chegamos a quinta marcha antes de reduzir para segunda, para fazer a curva. Ela é muito escorregadia e existe uma ondulação enorme na freada, o que dificulta desacelerar o carro. Qualquer que seja seu acerto, você precisa sair de frente aqui. A saída tem inclinação ligeiramente negativa e, sem controle de tração, você verá os pilotos lutando com a traseira do carro o tempo todo.
“A curva 9, para a esquerda, é bastante rápida, feita em quarta marcha. Você toca nos freios só para estabilizar a traseira, antes de entrar e usar a zebra na tangência e na saída. O limite do carro chega bem abruptamente e quase não existe área de escape, por isso você tem de ter muito cuidado para não exagerar.
“Em seguida vem a Pouhon, uma curva para a esquerda de duas tangências, super-rápida. Você chega em sexta marcha e, na classificação, só freia um pouquinho e levanta o pé até a metade do acelerador. Eu acho que é uma das curvas mais difíceis da volta, porque você fica explorando constantemente os limites do carro e, embora a velocidade máxima na tangência seja de cerca de 230 km/h (143 mph), você ainda acha que pode carregar mais velocidade nela a cada volta.
“Em seguida há uma reta curta antes de se chegar na chicana Fagnes, que tem um ponto de tangência relativamente tardio na perna para a direita. O asfalto tem muita aderência e você pode usar as zebras, por isso pode carregar muita velocidade aqui. Outra reta curta se segue antes de você chegar na curva 14, que é escorregadia, e é muito importante fazer uma boa saída, porque daí é pé embaixo até a Bus Stop. Essa é uma curva de terceira marcha, e você usa cada centímetro da zebra em sua saída.
“Você faz de pé embaixo a Blanchimont, para a esquerda, e chega na chicana Bus Stop, que foi redesenhada em 2006 e ficou muito mais lenta. Você busca uma tangência tardia na perna para a direita e então precisa lutar com a falta de tração na saída. Eu preferia a Bus Stop, antiga, na qual a saída da segunda perna era feita em aceleração total e você pulava em direção ao guard-rail. Aquilo era legal!”