Por Giovanni Romão
Três voltas e apenas 4 minutos e meio. Este era o tempo que faltava para Massa comemorar sua quarta vitória na temporada 2008.
O domingo tinha cara de Felipe, tinha cara de Brasil. Uma largada memorável, o pneu estourado de Hamilton, a vantagem confortável para Kovalainen e a possibilidade de poupar o motor com 16 voltas para o final.
No futebol, enquanto o árbitro não apita o jogo não acaba. Na F1, muda o aparato e quem o conduz, mas o enredo é o mesmo: antes da bandeirada, nada está definido.
Mika Hakkinen, hoje aposentado, conhece bem esta história. Em 2001, na última temporada na F1, o motor da McLaren “abriu o bico” na última volta do GP de Barcelona. Vitória no colo de Schumacher, o rival.
Outro brasileiro também viveu situação semelhante. Marcar pontos com um carro limitado como era a Jordan de 1993, algo sensacional; chegar ao pódio, um verdadeiro sonho. Barrichello só não chegou em terceiro no mesmo GP da Hungria, 15 anos atrás, pois um problema hidráulico fez o carro do brasileiro parar a 50 metros da bandeirada.
Duas vezes campeão do mundo e em sua última temporada na categoria, Hakkinen sorriu com o ocorrido em Barcelona. Barrichello e Massa, choraram. Para Rubinho, seria o primeiro pódio da carreira; Para Felipe, a vitória representava, também, a liderança do campeonato.
No calor da emoção, as lagrimas caem, mas Massa sabe que poderia ser pior. Não fosse o problema de Hamilton com o pneu, hoje o inglês estaria 14 pontos à frente do brasileiro, e não “apenas” oito. Claro, era domingo para “ser melhor”. Mas antes o debut de Kovalainen no hall dos vencedores da maior categoria do mundo, do que mais uma vitória do “arisco” inglês.
Ótimo segundo lugar de Glock!
Agora, Massa viveu momentos de sorte e azar na corrida, assim como Hamilton. Ironicamente, o mais sortudo não foi nem um, nem outro.
Uma corrida apagada e um pódio no final.
Raikkonen viu Hamilton ter problema com o pneu, Massa quebrar nas voltas finais, Kubica sofrer com a falta de rendimento da BMW, e a Renault fazer lambança na segunda parada de boxes de Alonso.
Dos candidatos ao título, o mais discreto do fim de semana foi o mais feliz do domingo. Para quem sairia da Hungria tendo de suportar a pressão de ter o companheiro de equipe na ponta do campeonato, ser hoje o vice-líder é motivo de muita festa.
Pois é, o “azarado” do circo foi hoje o ganhador na loteria da velocidade..