Por Giovanni Romão
Acusada de infringir o Código Esportivo Internacional, em seu artigo 151 c, que se refere à “(…) qualquer conduta fraudulenta, ou ato prejudicial aos interesses do competidor, ou do esporte a motor (…)”, a McLaren estará reunida nesta quinta-feira (26) com o Conselho Mundial da FIA, em Paris, na França, para se defender no caso que envolve um dossiê com detalhes técnicos da rival Ferrari, e que teria sido utilizado pelo time de Woking.
A história envolve ainda o projetista Mike Coughlan, afastado da equipe inglesa desde o início das investigações, e Nigel Stepney, engenheiro inglês demitido da Ferrari. Os dois são acusados de terem feito as trocas de informações.
A escuderia de Ron Dennis garante que nenhuma parte do “tal” documento tenha chagado até outros membros da equipe, tendo ficado apenas com Coughlan, e, portanto, não teria sido usado na construção do modelo 2007. “Estamos ansiosos pela oportunidade de provarmos todos os detalhes no fórum especial”, garantiu a McLaren em nota oficial.
A FIA trabalha encima do foco para descobrir se a equipe “adquiriu documentos que podem ter sido usados para desenhar, projetar, testar, checar, desenvolver ou fabricar o modelo 2007 de Fórmula 1 da Ferrari”.
Caso seja considerada culpada, a McLaren pode sofrer grandes retaliações, como a perde de pontos, desclassificação na temporada 2007 ou, até mesmo, a expulsão da Fórmula 1. O time lidera o campeonato de pilotos, com Lewis Hamilton e Fernando Alonso, e também o de construtores.
Membros da Ferrari já confirmaram que estarão presente na audiência como testemunha no processo, e o time de Woking, caso seja absolvida nas questões do uso de material técnico de Maranello, ainda pode ser julgada pelos atos de seu funcionário.
O jornal espanhol “As” garante que a Federação Internacional de Automobilismo já tem posse de informações e dados suficientes para aplicar uma dura punição contra o time inglês. “Se esta punição acontecer será porque é justo. Em todo caso eu estou tranqüilo, pois é algo que não pode me afetar”, afirmou Fernando Alonso, vice-líder do campeonato.
Diferente do companheiro de Alonso, o líder da temporada defende o time de forma 100%. “Não cometemos nenhuma irregularidade e por isso não seremos punidos. Somos uma das equipes mais honestas da F1”, disparou Lewis Hamilton.
Além do Conselho Mundial da FIA, que analisa exclusivamente o envolvimento da McLaren no caso, a Ferrari já entrou na Alta Corte de Londres contra Mike Coughlan, por posse de documentos confidenciais do time. Nigel Stepney também está na mira da justiça e terá que se defender diante de sua antiga equipe.
Representante brasileiro
O presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Paulo Enéas Scaglione, estará presente na reunião desta quinta-feira em Paris, para acompanhar de perto a decisão sobre o futuro da McLaren. O dirigente chegou ao país ontem, quarta-feira, saindo de São Paulo.