Por Antonio Pessoa
Há muito tempo eu esperava e torcia por isso. Sempre fui fã de Antoine Rizkallah Kanaan, nascido em 31 de Dezembro de 1974 em Salvador, na Bahia. Pode-se dizer que Tony Kanaan é o “Baiano Mais Rápido do Mundo”, pois nem tem concorrentes mesmo.
E esse Baiano é mais rápido que muitos outros Europeus, Americanos e até mesmo outros Brasileiros, que sobem na carreira dentro do automobilismo por conta do forte Marketing que possuem, ou mesmo Q.I. (Quem Indica). Com Kanaan é diferente. O baiano sempre foi um lutador, um exemplo raro de piloto que chegou lá encima pelo talento que tem, pela dedicação, pelo trabalho, persistência, vontade, e velocidade natural no sangue.
Tomei conhecimento da existência de Tony Kanaan há exatos 10 anos atrás, em fins de 1994. Ele havia acabado de se tornar Campeão da Fórmula Alfa Boxer na Itália. Ele tinha 19 anos de idade. Em 1995 foi para a F-3 Italiana e através da Revista Grid acompanhei sua performance. Venceu uma etapa, em Ímola, descendo do carro na volta de desaceleração e colocando uma flôr na Curva Tamburello em homenagem á Ayrton Senna, morto no local cerca de 16 meses antes.
Em 1996 é que Kanaan foi para o rumo certo. Saiu da Europa, e foi para os EUA, tentar a sorte na crescente Fórmula Indy. Kanaan foi para a categoria de acesso á F-Indy, a Indy Lights. Na época a F-Indy era a CART, importante frisar isso. No ano de estréia na Indy Lights, Kanaan foi vice-campeão com 2 vitórias, uma em Detroit e outra em Laguna Seca. Eu gostava desse cara.
Em 1997 Kanaan era minha esperança de título. No começo Helio Castroneves começou melhor, senti que o paulista de Ribeirão Preto ía ser o campeão, mas no finalzinho foi Kanaan quem venceu em uma emocionante decisão na última corrida da temporada em Fontana, na California. Kanaan venceu 2 corridas, Detroit e Trois-Riviéres, mas foi muito mais regular que Castroneves e Cristiano da Matta. Os três brasileiros bons de braço dominaram a Indy Lights em 1997.
Em 1998 Kanaan estreou na F-Indy/CART pela Tasman. Foi o melhor brasileiro na temporada, mostrando que tinha algo mais. Em 1999 venceu sua primeira corrida, as 500 Milhas de Michigan, em uma chegada sensacional após Max Papis ficar sem combustível, e com Juan Montoya lado-a-lado do baiano.
Nos anos de 2000, 2001 e 2002 Kanaan correu na F-Indy/CART pela Mo Nunn, em um contrato longo que o prendeu á essa equipe, não venceu nenhum GP. Mas teve alguns destaques em alguns momentos. Em 2001 foi companheiro de equipe de meu ídolo, Alessandro Zanardi, quando este sofreu o acidente em Lausitzring que lhe custaram as duas pernas.
Em fins de 2002 Kanaan foi anunciado pela equipe Green como substituto de Paul Tracy paa 2003, Tracy, trapalhão, não vencia corridas nem títulos com a frequencia que Kanaan o fez quando ocupou seu lugar. A Green foi comprada em parte por Michael Andretti, e mudou o nome para Andretti-Green, saíram da F-Indt/CART e foram para a F-Indy/IRL em 2003, com apoio da Honda.
Em 2003 Kanaan já mostrou que veio pra ficar pra ser vencedor e ser campeão. Começou bem o ano, com poles e 1 vitória. Apesar de uma fratura no braço foi heróico ao correr a Indy 500 em pleno processo de recuperação. Liderou a tabela do campeonato durante a maior parte do ano, e o título só lhe escapou por uma leve inferioridade dos motores Honda frente aos Toyotas, somado á boçalidade de Tomas Scheckter na etapa de Nazarth (Scheckter bateu propositalmente em Kanaan para favorecer Dixon, companheiro de equipe do sul-africano na Ganassi), e com o toque que deu em Castroneves na corrida decisiva do Texas, por pura falta de sorte.
Em fins de 2003 eu já alertava que Kanaan era o favorito ao título para 2004. Não errei o palpite. Os motores Honda estiveram superiores o ano inteiro, fazendo que quase qualquer um que fosse empurrado por um Honda pudesse vencer GPs. A Andrettti-Green é uma equipe que trabalha intimamente com a Honda, e Kanaan é um piloto-líder dessa equipe, o melhor e mais bem preparado do grupo. Não restava dúvidas que era o ano do baiano.
Apesar de não ter vencido as 500 Milhas de Indianapolis, ficou em 2º, Kanaan teve uma atuação nota 10 nesta temporada. Conseguiu uma proeza que eu nunca vi, jamais, never, que foi terminar TODOS os GPs da temporada sempre na mesma volta do líder. Nenhum abandono, nenhuma batida, nenhum azar, nenhuma quebra. I-NA-CRE-DI-TÁ-VEL!
Por isso elejo Kanaan como um dos melhores pilotos brasileiros de todos os tempos, um dos 7 melhores sem a menor sombra de dúvidas, e também um dos melhores da atualidade no esporte.
A chegada apertada em Fontana foi o momento em que Kanaan sacramentou a conquista do título, tão sonhado. Confesso que esperava por isso, mas fiquei feliz em ver um piloto realmente que MERECE ser campeão, conquistando um campeonato de alto nível, com reais DISPUTAS. Um Esporte de verdade. Kanaan é um esportista de verdade dentro do automobilismo, um merecedor de sua conquista. Torço por ele!