Longe dos holofotes da mídia, um brasileiro vem conseguindo muito sucesso no automobilismo internacional nos dois últimos anos, o que poderá leva-lo a sentar em um Fórmula 1 ainda em 2004. “Posso estar testando um Fórmula 1 no fim desse ano e isso seria a realização de um grande sonho, mas terei de esperar para ver se isso acontecerá”, confidencia João Paulo de Oliveira (Varig), piloto que mais vitórias conquistou no exterior nas duas últimas temporadas.
Campeão Alemão de Fórmula 3 em 2003, e vice-campeão japonês da categoria de acesso à Fórmula 1 neste ano, João Paulo soma 19 vitórias, 20 pole-positions e 23 voltas mais rápidas nas 35 corridas que disputou neste biênio, o que lhe dá uma média impressionante de performance, que tem despertado a atenção de algumas equipes de categorias Top. “Venho de dois bons anos de excelentes resultados na Fórmula 3. Agora, a minha meta para o futuro é correr por uma categoria diferente no próximo ano. Testarei na Fórmula Nippon em breve e talvez também de GT japonês. Estou trabalhando em algumas possibilidades e espero em breve ter alguma novidade”, revela o piloto que tem contrato com a Lola-Dome, Honda e Bridgestone, e que em dois anos só abandonou quatro provas por quebra mecânica.
Como piloto oficial de fábrica, o paulista teve a oportunidade de realizar vários testes de desenvolvimento de chassi, motor e pneus, que além de aumentar ainda mais a sua experiência, apurou o seu feed-back técnico, atributo importante e disputadíssimo nas categorias Top do automobilismo, visto que o número de testes está cada vez mais reduzido em virtude dos altos custos do esporte. “Para fazer um trabalho de desenvolvimento para a Honda e Lola-Dome no Japão deve existir uma boa ligação entre equipe-piloto. Desde quando comecei a testar para eles as minhas informações foram essenciais para o desenvolvimento do carro desse ano, o que contribuiu com nossos resultados esse ano”, explica Oliveira, que foi o piloto que mais largou da primeira fila no Campeonato Japonês de Fórmula 3. “Sempre existiu uma confiança mútua muito boa entre nós. A equipe depositou muita confiança em mim já no fato de trabalharem somente com um carro nessa temporada, com o objetivo de focarmos toda nossa concentração no desenvolvimento do carro”, continua João. “O ano de 2004 foi excelente. Trabalhar em um carro novo foi uma experiência incrível para mim. Todos na equipe se esforçaram o máximo e contribuíram para sermos sempre competitivos, o que sou muito grato. Estou contente de ver que a minha equipe ficou tão satisfeita com o trabalho que fiz para eles esse ano aqui, que me deixaram as portas abertas para o futuro, o que é uma grande satisfação”, completa o piloto que mais venceu no mundo com o chassi Lola-Dome, a primeira fábrica a fazer frente ao italiano Dallara nos últimos 10 anos.
Impossibilitado de brigar pelo título de campeão desde a penúltima rodada do campeonato, quando sofreu um gravíssimo acidente e ficou desacordado em virtude da quebra do freio, João Paulo de Oliveira avaliou como positiva a sua participação no competitivo certame nipônico. “Tivemos momentos difíceis, três vezes tivemos problemas mecânicos e isso nos dificultou na busca pelo titulo. Porém, sempre fomos competitivos, fizemos oito poles, tivemos nove melhores voltas e vencemos seis vezes, excluindo a vitória onde fui penalizado injustamente, o que seriam sete. O carro teve um grande salto de resultados durante esse ano. Trabalhamos em todos os setores que deviam ser trabalhados e hoje somos competitivos em qualquer tipo de circuito e condições”, comenta o brasileiro.
Vivendo o ano inteiro no Japão, longe do calor e da espontaneidade latina, e da agitação e cultura européia, onde estava acostumado, João Paulo provou para si mesmo que está preparado para enfrentar qualquer desafio, como culturas, costumes e pressões, mesmo fora das pistas. “A vida no Japão é outra coisa que tive uma boa adaptação. Sem dúvida o começo é bem difícil, mas hoje posso dizer que estou satisfeito com as condições que tenho aqui. Pude deixar uma boa impressão no automobilismo japonês e há interesse de algumas equipes em categorias diferentes para o próximo ano, incluindo a equipe por qual pilotei esse ano”, encerrou João Paulo de Oliveira, que também estuda possibilidades de retorno à Europa ou mesmo alternativas nos Estados Unidos, depois que foi conhecer a IRL de perto, que pode ser uma de suas opções.