Quando Rubens Barrichello cruzou a linha de chegada do GP do Brasil de 1994 em quarto lugar com seu Jordan-Hart, nenhum dos cerca de 45 mil torcedores presentes poderia imaginar que começava ali o maior tabu envolvendo pilotos brasileiros em Interlagos. Os três pontos conquistados por Barrichello naquela ocasião são, até hoje, os últimos de um representante do País no GP do Brasil. A corrida deste ano está marcada para 24 de outubro e, além de Barrichello, contará com Felipe Massa (Sauber) e Ricardo Zonta (Toyota) para acabar com esta incômoda seqüência.
A estiagem verde-amarela em Interlagos não encontra precedentes na história da corrida, nem em algum outro circuito do calendário. De 1995 até 2003, foram 27 participações de pilotos brasileiros na prova, com apenas cinco (18,5%) conseguindo chegar ao final. Quem mais se aproximou da zona de pontos neste período foi Pedro Paulo Diniz, oitavo colocado no chuvoso GP de 1996. Diniz corria pela Ligier, que em janeiro de 2002 fecharia as portas com o nome de Prost Grand Prix..
Para se ter uma idéia do abismo que separa a última pontuação brasileira em Interlagos da atualidade, basta olhar o grid daquela corrida em 1994: dos 28 pilotos que participaram dos treinos, apenas três – Rubens Barrichello, Michael Schumacher e Olivier Panis – ainda correm na Fórmula 1. Das 14 equipes que alinharam seus carros naquela ocasião, só seis (Ferrari, McLaren, Williams, Sauber, Jordan e Minardi) permanecem na categoria. Cinco das nove fabricantes de motores da época não fazem mais parte do Mundial. E o único fornecedor de pneus daquele campeonato, a Goodyear, saiu da Fórmula 1 no final de 1998.
O calvário dos pilotos brasileiros em Interlagos começou coincidentemente no primeiro GP do Brasil pós-Senna, em 1995. Então na Jordan, Rubens Barrichello parou logo no começo com problemas no câmbio. Roberto Moreno, da Forti-Corse, rodou no final da prova e viu seu companheiro de equipe, Pedro Paulo Diniz, terminar em décimo. Em 1996, ainda na Jordan, Barrichello largou na primeira fila e brigou pelo pódio durante a corrida, disputada sob chuva na maior parte do tempo. No final, rodou na Descida do Lago quando pressionava Schumacher na briga pelo terceiro lugar. Dos outros três representantes, Tarso Marques (Minardi) também rodou, Ricardo Rosset (Arrows) bateu e somente Diniz (Ligier), oitavo, recebeu a bandeirada. Em 1997, Barrichello (Stewart) e Diniz (Arrows) pararam com problemas na suspensão. No ano seguinte, Barrichello, Diniz e Rosset (Tyrrell) novamente não concluíram a prova – todos saíram do GP com falhas no câmbio.
Em 1999, Barrichello liderou a corrida por 23 voltas, mas abandonou com problemas no motor de seu Stewart. Ricardo Zonta, da BAR, bateu forte nos treinos e nem correu. Diniz, então na Sauber, também não completou a prova ao sair da pista. Na edição seguinte, já com Barrichello na Ferrari, as esperanças se renovaram. Com um “mar vermelho” nas arquibancadas, Interlagos viu o carro do brasileiro parar com pane hidráulica na 27a volta. Zonta, ainda na BAR, foi o nono. Diniz nem largou, já que sua equipe, a Sauber, desistiu da prova por problemas estruturais na asa traseira do carro.
Em 2001, Tarso Marques, na Minardi, foi o único a completar a corrida, em nono. Barrichello bateu e Enrique Bernoldi (Arrows) e Luciano Burti (Jaguar) tiveram problemas em seus carros. Situação parecida aconteceu em 2002, com novas falhas técnicas com Barrichello e Bernoldi. Felipe Massa (Sauber) abandonou após rodar no Laranjinha.
Em 2003, a mais lamentada das desistências: líder tranqüilo da prova em uma convincente atuação, Barrichello parou a oito voltas do fim, com falta de gasolina. Antonio Pizzonia (Jaguar) rodou e Cristiano da Matta (Toyota) terminou em décimo.