Os primeiros testes de pré-temporada da Fórmula 1 para 2026 começam nesta segunda-feira em Barcelona, em um formato bem diferente do habitual. A sessão de cinco dias não terá presença da imprensa no circuito, nem garantias de divulgação completa de tempos, imagens ou dados técnicos. A decisão faz parte da estratégia da categoria para lidar com a complexa transição para o novo regulamento técnico, que estreia neste ano.
O teste no Circuito de Barcelona-Catalunya ocorrerá entre os dias 26 e 30 de janeiro, mas cada equipe poderá ocupar a pista em apenas três desses cinco dias. Como o evento é privado, não haverá transmissão ao vivo, coletiva de pilotos no paddock ou cobertura tradicional. A expectativa é de que o material disponibilizado seja limitado a imagens e entrevistas distribuídas pela própria F1 e pelas equipes.
A escolha por um formato restrito gerou estranhamento entre alguns torcedores nas redes, já que o público se acostumou a acompanhar a pré-temporada quase em tempo real. Porém, segundo fontes do paddock, a prioridade neste momento não é o espetáculo e sim o funcionamento da nova geração de carros e unidades de potência. As equipes enfrentam uma série de variáveis inéditas com a nova divisão de energia dos motores híbridos e os sistemas de aerodinâmica ativa.
Embora não haja preocupação declarada com possíveis falhas em público, o clima nos bastidores é de total foco em confiabilidade e integração de sistemas. O comportamento da nova unidade de potência, os modos eletrônicos de recuperação de energia, o funcionamento das asas móveis e a correlação entre simulações e pista são alguns dos pontos que precisam ser validados ainda no shakedown.
Outro elemento importante é a adaptação dos pilotos. Sem o MGU-H, a geração 2026 exigirá mais trabalho da parte elétrica do motor, além de mais lift-and-coast e uso de marchas mais curtas em trechos de baixa. Na prática, mesmo veteranos terão que construir novos reflexos ao longo do ano. A etapa de Barcelona também servirá para medir efeitos secundários da aerodinâmica ativa no equilíbrio e na dirigibilidade, algo que não pode ser totalmente previsto no simulador.
Além da novidade técnica, existe um fator climático que pode limitar muito a ação na pista. A previsão indica temperaturas baixas e instabilidade nas próximas dias, o que tende a reduzir quilometragem e comprometer correlações com dados de simulação. Em 2022, por exemplo, a primeira semana de testes com efeito solo revelou o porpoising, algo que só apareceu de forma clara na pista e nunca no túnel de vento.
O calendário prevê também que o verdadeiro trabalho de performance só começará nos dois testes seguintes, ambos no Bahrein. É lá que o público deverá ver rodagem mais longa, compostos mais representativos, simulações de classificação e corrida, além de um primeiro retrato da ordem de forças do grid.
Enquanto isso, a sessão em Barcelona deve ser marcada por carros entrando e saindo dos boxes em períodos curtos, longas verificações de sistemas e dias com atividade limitada. No entanto, a tendência é que informações vazem naturalmente através de imagens lançadas pelas equipes, material da F1 TV e relatos de pilotos à distância. O F1MANIA.NET acompanhará tudo ao longo da semana e publicará qualquer detalhe confirmado, imagem oficial, impressão técnica ou evolução relevante do paddock.
