Ralf Schumacher não poupou críticas ao comentar os rumores de que a Ferrari estaria se preparando para um protesto oficial contra a Mercedes, alegando um suposto ‘truque’ que teria sido utilizado pela equipe alemã em relação às novas regras de motor. Durante sua participação no programa Backstage Boxengasse, da Sky alemã, o ex-piloto de Fórmula 1 pediu que a Ferrari, em particular, ficasse em silêncio sobre o assunto.
“Eu acho que a Ferrari, de todas as equipes, deveria ficar calada”, afirmou Schumacher, lembrando das controvérsias do passado envolvendo a equipe italiana, como a do motor em 2019, que gerou suspeitas de que a Scuderia estaria ultrapassando os limites de fluxo de combustível. Embora nada de ilegal tenha sido comprovado, a FIA emitiu diretivas técnicas e chegou a um acordo confidencial com a Ferrari, o que gerou grande desconfiança entre as demais equipes.
Schumacher defendeu a abordagem da Mercedes, descrevendo-a como um exemplo clássico das ‘zonas cinzas’ dos regulamentos da Fórmula 1. Ele argumentou que, quando uma regra permite interpretações ambíguas, é natural que alguém aproveite essa brecha: “Se uma regra é escrita de tal forma que há espaço para interpretação e alguém é esperto o suficiente para explorar isso, e isso se mantém, então é um risco que você assume”, afirmou. Para ele, a habilidade dos engenheiros da Mercedes em encontrar soluções inovadoras, mesmo com o desafio da FIA, deve ser elogiada: “Os engenheiros da Mercedes pesaram isso muito bem. Eu tiro o chapéu para isso, é Fórmula 1, inovação”.
O ex-piloto também fez um comentário irônico sobre a situação na Alpine, que a partir deste ano utiliza motores Mercedes: “Na Alpine, eles estão felizes. Finalmente têm um motor que funciona bem”, disse ele, mencionando o histórico de defasagem de potência da equipe francesa. “Eles sempre tiveram um atraso de 30 a 50 cavalos”, acrescentou, lembrando das dificuldades da Alpine nas últimas temporadas.

Sobre o futuro da polêmica, Schumacher destacou que a FIA já discutiu o conceito com os fabricantes de unidades de potência, e que uma nova reunião está agendada para o início de fevereiro, mas não acredita que algo de negativo vá acontecer com a abordagem da Mercedes.
Em relação à Ferrari, Schumacher foi direto: “Fiquem quietos e trabalhem. Vocês poderiam ter pensado nessa ideia vocês mesmos”, finalizou o ex-piloto alemão.
