A Fórmula 1 teve uma mudança importante nas regras técnicas durante o fim de semana do GP da Austrália. Após reclamações feitas pelos pilotos, a FIA decidiu alterar o uso dos chamados “straight modes” a partir do TL3 em Melbourne, modificando a forma como os carros podem utilizar suas configurações aerodinâmicas em um trecho específico do circuito de Albert Park.
A decisão foi anunciada poucas horas antes da terceira sessão de treinos livres. Inicialmente, a FIA convocou uma coletiva com o diretor de monopostos da entidade, Nikolas Tombazis, sem explicar o motivo do encontro com a imprensa. Pouco depois, o dirigente confirmou que uma das zonas de straight mode seria removida da configuração utilizada pelas equipes neste fim de semana.
Com a mudança, o quarto straight mode previsto para o circuito australiano deixa de existir. O trecho entre as curvas 6 e 9 passa a ser percorrido com as asas dianteira e traseira fechadas durante toda a extensão, eliminando a possibilidade de uso da configuração aerodinâmica específica que estava prevista originalmente para aquela parte da pista.
Tombazis explicou que o circuito de Melbourne apresenta características diferentes de outros traçados do calendário, o que levou a FIA a rever a decisão. Segundo ele, algumas zonas onde o sistema poderia ser utilizado possuem curvas leves, o que pode criar riscos em determinadas situações de disputa.
“Na maioria dos circuitos esses modos de reta são bastante simples de definir”, afirmou o dirigente. “Mas existem três ou quatro pistas ao longo da temporada, incluindo Melbourne, onde essas zonas também passam por trechos que têm alguma curvatura, como acontece aqui entre as curvas oito e nove.”
De acordo com Tombazis, o tema foi discutido em uma reunião realizada na sexta-feira com os pilotos da Fórmula 1. Alguns deles manifestaram preocupação com a redução de downforce naquele trecho específico da pista, especialmente em situações de disputa roda a roda.

“Alguns pilotos disseram estar preocupados com o nível de carga aerodinâmica naquela área, principalmente quando estão brigando por posição com outros carros”, explicou. “Eles sentiram que havia risco de perder o controle do carro nessas condições.”
A FIA também revelou que apenas após os treinos de sexta-feira foi possível obter dados reais sobre o comportamento dos carros naquela parte do circuito. Embora já existissem dúvidas antes do início do fim de semana, os dados coletados no TL1 e no TL2 confirmaram que a perda de carga aerodinâmica poderia representar um problema.
Outro fator considerado pela entidade foi a possibilidade de exigir alterações técnicas nos carros das equipes durante o próprio fim de semana. Para evitar que alguns times fossem obrigados a modificar seus projetos de forma emergencial, a FIA optou por aplicar a mudança de forma igual para todos.
“Quando tivermos mais dados das duas primeiras corridas da temporada, poderemos analisar melhor e talvez pensar em soluções diferentes no futuro”, afirmou Tombazis. “Mas neste momento não consideramos realista fazer algo diferente aqui.”
A decisão, no entanto, não foi unanimidade entre as equipes. Segundo o dirigente, sete das onze equipes presentes na Fórmula 1 apoiaram a mudança, mas houve forte oposição de outros times.
Durante a própria coletiva, Tombazis brincou ao dizer que seu telefone tocava repetidamente enquanto ele falava com os jornalistas, sugerindo que eram equipes entrando em contato sobre o assunto.
Informações obtidas pelo F1MANIA.NET indicam que algumas equipes ficaram bastante insatisfeitas com a decisão da FIA. Para esses times, o trabalho realizado durante a sexta-feira acabou sendo parcialmente perdido, já que as alterações obrigam mudanças importantes no acerto dos carros para o restante do fim de semana em Melbourne.
