A Fórmula 1 vive nesta semana seu primeiro grande momento de pista em 2026 com o shakedown coletivo em Barcelona, e o terceiro dia trouxe novos problemas para a Audi. O R26 voltou a apresentar falhas mecânicas e precisou ser desligado no traçado catalão, levantando dúvidas sobre a confiabilidade do projeto em seu ano de estreia oficial no grid.
Nico Hulkenberg estava ao volante quando o carro parou entre as curvas 9 e 10. De acordo com relatos do paddock, o alemão não pôde continuar e a interrupção gerou mais um sinal de alerta dentro da estrutura de Neuburg. Esta foi a segunda ocorrência em apenas três dias, algo que naturalmente preocupa um fabricante que estreia com unidade de potência própria e ainda precisa validar todos os sistemas.
Na segunda-feira, quem havia iniciado o programa de pista da Audi foi Gabriel Bortoleto. O brasileiro completou 27 voltas antes de um problema técnico obrigar a equipe a encerrar as atividades prematuramente. Na ocasião, o time afirmou que optaria por deixar o carro nos boxes pelo restante do dia para identificar a falha e evitar danos maiores.
Agora, porém, o cenário volta a se repetir. Ainda não está claro se o problema desta quarta-feira está relacionado ao de segunda, mas o fato de o R26 voltar a parar levanta questionamentos internos e externos. Embora o shakedown exista justamente para que montadoras e equipes descubram seus pontos fracos, múltiplas falhas em tão pouco tempo podem indicar um desafio maior no início da temporada.
Outro ponto relevante é que a Audi vive uma estreia complexa. A marca alemã inicia seu primeiro campeonato como equipe completa de Fórmula 1, com chassi próprio e unidade de potência desenvolvida internamente. A integração de um projeto desta magnitude envolve dezenas de sistemas eletrônicos, mecânicos e aerodinâmicos, e qualquer gargalo pode comprometer tanto o cronograma quanto o desenvolvimento.
Apesar dos problemas com o R26, a Audi não foi a única a provocar uma bandeira vermelha na sessão. Oliver Bearman também parou na curva 2 nas primeiras horas de pista. Assim como no caso de Hulkenberg, não foram divulgados detalhes sobre a causa da falha, e o carro precisou ser removido para liberar o traçado novamente.
Internamente, o terceiro dia em Barcelona será encarado como uma oportunidade para aprender, mas também como um alerta. O campeonato tem início dentro de poucas semanas e cada quilômetro perdido agora pode fazer diferença no acerto, na confiabilidade e na curva de evolução do pacote.
Enquanto isso, o paddock observa. A Audi chega com alta expectativa e forte investimento, além do interesse natural de ver uma nova fabricante competir de igual para igual com Red Bull, Ferrari, Mercedes e outras rivais tradicionais. O shakedown não define performance, mas já mostrou que a marca alemã tem trabalho pela frente antes do GP de abertura de 2026.
