Nesta terça-feira, em São Paulo, o brasileiro Nelsinho Piquet – da Fórmula 3 Inglesa – confirmou seu compromisso comercial com a marca Unicard (do Unibanco) que estará apoiando o piloto pelos próximos cinco anos.
A empresa, recente no mercado de cartões, investirá US$ 2,2 milhões até o final do contrato para ter sua logomarca exposta no capacete do piloto, no macacão, carro, web site e outros materiais de divulgação.
Nelsinho conversou bastante com os jornalistas sobre seu teste na Williams, no início deste mês, e afirmou que já tem mais uma sessão de treinos agendada com a escuderia para a terceira semana de janeiro, em local ainda a ser definido.
O evento contou com a participação do tricampeão mundial Nelson Piquet, pai de Nelsinho, que no seu estilo sempre franco comentou suas impressões sobre a carreira em progresso de seu filho:
Teste na Williams
Eu morri de medo! Foi muito bacana já que fazia tempo que não via os F-1 de perto. Então, eu passei três dias dentro do Box olhando tudo, olhando todas as novidades. Então aproveitei muito porque gosto muito desta parte. E sem dúvida os carros são muito mais “violentos” hoje do que na minha época. Quando eu saí da F-3 para a F-1, a diferença de tempo era de 10 ou 12 segundos. E hoje chega a 40 segundos. O Nelsinho pegou uma evolução grande de eletrônica. Agora ele vai entrar num treinamento e andar bastante de kart. Porque o kart é bem semelhante ao F1 de hoje. Então, ele vai correr bem para ficar pronto para o novo teste.
Pilotos muito jovens na F-1
A receita do bolo nunca foi a mesma. Tem gente que fez o caminho pelos EUA, tem gente que fez o caminho pela F-3, tem outros que ficaram mais tempo. Tá cada vez complicando mais. Os donos de equipe acabam querendo ser empresários dos pilotos para ganhar dinheiro de tudo o que é jeito. Agora, você tem que mostrar resultados. Ir lá, ganhar, estar na mídia, sentar nos carros e mostrar sua capacidade. Na F-1, se você está nas primeiras quatro equipes, você está porque tem valor. Porque senão, você dança. Tem que ter o talento, a vontade, o sangue frio, determinação de ganhar e não querer ser o segundo. Hoje você precisa de menos experiência. Na minha época, a gente tinha que entender mais de mecânica, ajudar o engenheiro a construir o carro para o próximo ano, passar muita informação. Hoje não, tem toda a parte de telemetria. Na minha época, raramente um piloto de 18 anos sentaria num F-1 e faria uma temporada boa. Porque não saberia acertar os carros, não saberia dar a informação certa.
Futuro equipe Piquet Sports
O ex-piloto não tem a intenção de continuar com a equipe Piquet Sports depois que o filho deixar a F-3.O time foi feito exclusivamente para o Nelsinho para a gente ter exatamente certeza do que estava fazendo. Pensando bem, foi um risco enorme que corremos. Porque hoje montar uma equipe de F-3 seria como montar uma equipe de F-1 há vinte anos. Foi um desafio grande para todos. Nós chegamos lá e o pessoal ria da gente. Mas na segunda, ou terceira, corrida ninguém ria mais. Mas não me arrependo. Hoje o nível de informação que a gente tem para o próximo ano é maior que o dos outros.
Bater Michael Schumacher
É possível. O Schumacher ta aí balançando. Pára ou não pára. Neste ano, ele demonstrou uma frieza e uma vontade de trabalhar enorme. Estavam com o carro atrasado. Se vai ter alguém para bate-lo nesse próximo ano…possível é…mas ele pode ganhar mais alguns anos também.
Montoya na McLaren
A ida dele em 2005 para a McLaren poderia prejudicar a próxima temporada na Williams.Sem dúvida. Sem dúvida. Porque ninguém quer perder um campeão. Ele vai ganhar um campeonato e sai para outra equipe? Se agora tiver que privilegiar o Ralf Schumacher…muito melhor o Ralf.
Rosberg X Piquet
Querer comparar o Nico com o Nelsinho e querer comparar o Keke comigo. Não tem diferença nenhuma. Não tem comparação nenhuma. O que ele fez na F-3? Não fez p… nenhuma! Agora tem todo um interesse e toda a publicidade que a Williams ta fazendo com a situação.
Contrato assinado
O Nelsinho só vai assinar um contrato se for correr. Não vai assinar contrato com ninguém (empresário). Não tem necessidade. Se for correr, vai ter a chance, ai assina. Acerta com a equipe e não com um “manager”. Na Inglaterra, todos têm empresário. Ai coloca o piloto aqui, empresta o piloto ali, ganha dinheiro daqui e dali. Eu não controlo a carreira do Nelsinho. Só ensino o caminho das pedras. Quem decide é ele.
Pagar para correr
Na F-1 hoje é uma parte talento e uma parte publicidade. Vamos dizer que amanhã a gente não vá pra Williams e vá pra uma Jaguar da vida. E se o Unibanco se interessar em ter uma projeção mundial. E o custo benefício vale à pena, é um patrocínio que segue. Existe a possibilidade. Tudo é negociação.
Amigos da Velocidade