Uma temporada inesperada e bastante agitada. É dessa forma que o brasileiro Antonio Pizzonia avaliou o ano de 2005, quando foi o piloto reserva e responsável pelos testes da equipe BMW Williams F1. Vindo de uma temporada em 2004 onde disputou quatro corridas (Alemanha, Hungria, Itália e Bélgica), quando substituiu o alemão Ralf Schumacher e conquistou seis pontos com três sétimos lugares, Pizzonia ficou a disposição da equipe BMW Williams F1 em todas as corridas da temporada, caso os titulares Mark Webber e Nick Heidfeld ficassem impossibilitados de competir, além da função de desenvolver o modelo FW27 do time inglês.
“Cumpri bem a minha função nessa temporada. Estive sempre pronto para assumir meu papel de piloto oficial da Williams a qualquer momento. Fui constantemente mais rápido do que os meus companheiros de time durante os testes, com excelente preparo físico e mais motivado do que nunca. Como nunca desisti do meu sonho de correr na F-1, sempre aguardei minha chance da melhor maneira possível”, explicou o piloto, que quase correu o GP de San Marino, pois uma fratura na costela colocou em dúvida a participação de Webber.
Nesse período, a experiência do amazonense foi contemplada com a responsabilidade de testar pela primeira vez o novo motor V8 da BMW, que será usado a partir da próxima temporada, de acordo com o novo regulamento da Fórmula 1 para 2006. “É gostoso quando você tem o seu trabalho reconhecido e vê que existem pessoas depositando confiança em você. Fiz o meu melhor e passei informações importantes para a equipe de testes”, explicou Pizzonia.
A grande chance do amazonense apareceu no GP da Itália. O piloto foi chamado as pressas para substituir Heidfeld, que havia sofrido um acidente em testes coletivos e impedido de competir em Monza, após se queixar de fortes dores na cabeça nos treinos da sexta-feira. Mesmo correndo com um equipamento que não estava adaptado para sua pilotagem, Pizzonia deu show e conquistou dois pontos com a sétima posição, largando da 17a posição. “Tinha ficado três meses sem testar e fui pego de surpresa quando o telefone tocou em casa no sábado de manhã. Foi bastante complicado, pois tive que me adaptar a tudo de uma forma muito rápida, sem ter treinado na sexta-feira e, por isso, considero esses dois pontos muito valiosos”.
Com Heidfeld fraturando a clavícula em um acidente doméstico e sua situação ficando complicada dentro do time, já que havia assinado um contrato para correr pela equipe oficial da BMW em 2006, Pizzonia acabou sendo confirmado para as quatro provas finais da temporada, mas sempre nas semanas anteriores aos GPs, com a equipe Williams chamando a atenção da mídia com um certo suspense.
Na Bélgica, o amazonense fazia uma boa prova debaixo de chuva, mas uma estratégia arriscada da equipe em colocar pneus secos durante uma parada nos boxes arruinou a corrida do amazonense. “Foi uma corrida muito confusa em relação a pit stops. Colocaram pneu errado em hora errada e tive que retornar aos boxes, perdendo muito tempo e ficando longe dos pontos”, lamentou o piloto.
A confirmação de que correria no Brasil após mais de dois anos (a última vez tinha sido em 2003 com a Jaguar) encheu o manauara de ânimo para fazer bonito diante de seus familiares e torcedores em Interlagos. Porém, uma manobra infeliz do experiente piloto David Coulthard, da Red Bull, acabou com a corrida dos dois pilotos da Williams logo na largada, em um acidente vários metros antes da primeira curva. “Foi uma decepção muito grande. Foi a corrida mais curta de minha carreira, justamente no Brasil. Um acidente que atrapalhou completamente o trabalho de uma equipe inteira”, desabafou o brasileiro, que confiava na boa estratégia montada pelo time inglês para a prova do Brasil.
Nas duas provas finais, no Japão e na China, Pizzonia competiu de olhos vendados, pois teve de aprender as duas pistas, inéditas em sua carreira. “Foram duas corridas distintas, onde tive o privilégio de conhecer duas pistas muito seletivas e difíceis como são Suzuka e Shanghai”, avaliou o piloto, que quer utilizar toda esta bagagem adquirida nas próximas oportunidades na Fórmula 1.
Terminada a temporada, Pizzonia agora negocia seu futuro tanto com a escuderia inglesa quanto com outros times, já que a experiência acumulada e o seu conhecimento dos motores V8 que serão usados no ano que vem o dão trânsito livre para circular entre as equipes. “Sou um piloto profissional e quero correr na próxima temporada. As conversas estão acontecendo e agora é ficar na expectativa de poder alinhar em 2006. Mas também estou preparado para assumir o cargo de piloto reserva e de testes”, completou.