O brasileiro Lucas Di Grassi encerrou nesta sexta-feira os dois dias consecutivos de testes programados pela equipe Renault F1 Team. Os ensaios foram realizados no circuito espanhol de Jerez de La Frontera, onde também andaram vários carros da categoria, incluindo outro Renault, conduzido pelo piloto de testes oficial Franck Montagny. Nos dois dias, utilizando o Renault R25 do campeão mundial Fernando Alonso, Lucas andou 147 voltas pelos 4.423 metros da pista, em um total de 650 quilômetros de testes. No encerramento da prática, o chefe da equipe de testes da Renault, o português Carlos Nunes, resumiu a impressão da equipe sobre o brasileiro: “Parabéns! Missão cumprida: você foi muito bem”.
Nunes se referia tanto ao desempenho de Lucas quanto ao trabalho técnico realizado pelo estreante nesta primeira vez que pilotou um carro de Fórmula 1. Di Grassi concentrou-se no teste de novos componentes, combinando também variações no acerto do modelo R25. Nos dois dias, o brasileiro não teve preocupação em fazer bons tempos, tanto que na quinta-feira saiu várias vezes do boxe para dar apenas duas voltas e retornar, a fim de permitir medições e a coleta de dados.
Nesta sexta-feira, a principal meta de Lucas era avaliar os desenvolvimentos inéditos instalados em uma unidade do motor RS25. “Hoje, minhas saídas para a pista foram mais longas, com até 15 voltas, pois alguns elementos do motor precisavam de uma checagem de confiabilidade e resistência”, observa o piloto, que integra o Renault Driver Developmento Program (RDD), iniciativa que apóia jovens talentos do esporte. “A equipe precisava fazer uma quilometragem básica com esta versão de motor para saber se já está pronta para uso nas próximas corridas”.
Novamente, Lucas e Franck Montagny concentraram-se em tipos diferentes de trabalho. Enquanto a equipe de engenheiros e mecânicos que atendia ao brasileiro teve como missão análises de novos componentes e coleta de dados, o grupo do piloto de testes francês voltou-se para o chamado ajuste fino – fato que obrigou Montagny a acelerar forte, marcando inclusive o melhor tempo de hoje. Os dois pilotos também usaram carros com acertos e potências de motor distintas.
A avaliação da equipe Renault em relação ao trabalho de Lucas foi muito positiva. O jovem brasileiro de 21 anos não cometeu nenhum dos pecados capitais comuns entre “pilotos de primeira viagem” em testes de Fórmula 1: rodar, bater, sair da pista danificando o equipamento, tentar mostrar serviço acelerando forte logo nas primeiras voltas, passar informações inconsistentes aos engenheiros ou ainda atrapalhar o trabalho por não estar fisicamente apto para suportar as forças G que atuam sobre o corpo dos pilotos em alta velocidade.
Em todos estes aspectos, a Renault já tinha boas referências de Lucas – vindas tanto de sua atuação como piloto do RDD no Campeonato Europeu de F-3, quando de seu trabalho de desenvolvimento do carro da GP2, nova categoria criada pela fábrica francesa com apoio da equipe de F-1. Daí a escolha de Di Grassi para os testes, entre os cinco membros do RDD: “Fiquei muito feliz com o resultado do meu trabalho nesta semana”, diz Lucas. “O importante é que a equipe também ficou bem satisfeita – pelo menos é o que todos me disseram! Espero que estes testes abram oportunidades de novos trabalhos assim. Eu já disse a eles que, sempre que precisarem de mão-de-obra, estou à disposição. Afinal, quem não gostaria deste emprego?”