F1: Red Bull aposta em continuidade com Perez, também por falta de opções

A Red Bull confirmou a renovação de contrato de Sergio Perez por mais duas temporadas, gerando reações divididas entre os fãs. A extensão do vínculo com o mexicano levanta discussões sobre a busca por estabilidade ou a falta de ambição por parte da equipe na Fórmula 1.

Ser piloto número dois de um talento como Max Verstappen é uma situação peculiar. Enquanto os torcedores anseiam por um piloto que possa desafiar o líder, as equipes, principalmente quando possuem um carro superior, priorizam a estabilidade.

Basta olhar para a rivalidade entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Desde a era de Fernando Alonso em 2007, ou mesmo Alain Prost e Ayrton Senna nos anos 80, essa foi a dupla com maior equilíbrio. No entanto, a disputa quase levou ao colapso interno da Mercedes. Toto Wolff, chefe da equipe alemã, admitiu que, se Rosberg não tivesse se aposentado após o título de 2016, a Mercedes teria dispensado um dos pilotos.

Sendo assim, quando detêm um carro dominante e um piloto no auge, as equipes buscam características específicas para o segundo piloto: confiabilidade, habilidade e alguém que não cause atritos internos.

Fora o consultor da Red Bull, Helmut Marko, todos na equipe parecem satisfeitos com Perez. Verstappen o considera seu melhor companheiro de equipe, e Christian Horner elogia constantemente a influência do mexicano dentro do time. Mesmo durante o período ruim em 2023, quando Perez não conseguiu alcançar o Q3 em oito ocasiões, Horner evitou criticá-lo publicamente.

Há também o benefício da popularidade e dos patrocinadores que Checo traz para a equipe. Com Verstappen recebendo um salário supostamente na casa dos US$ 55 milhões anuais, a Red Bull valoriza a chegada de empresas como a Telcel, gigante mexicana de telecomunicações. Perez possui ainda contratos com Disney, Mobil, Claro, Nescafé e KitKat, o que sem dúvida influenciou na permanecência do mexicano na equipe.

Seu impacto no número de fãs não pode ser ignorado. Em 2016, a audiência mexicana da F1 cresceu 500%. Não é por acaso que, desde a chegada de Perez à categoria, o GP do México retornou ao calendário, tornando-se uma das corridas mais bem-sucedidas do ano.

Diante disso, Perez sempre esteve no topo da lista da Red Bull para 2025. Mesmo com seu desempenho apresentando oscilações, quem seria o substituto ideal? Daniel Ricciardo era visto como herdeiro natural da vaga, mas sua temporada na RB vem sendo ainda pior que a de Perez. O outro piloto da RB, Yuki Tsunoda, apesar de impressionar bem este ano, sempre foi considerado uma opção menos provável.

Se a Red Bull optasse por substituir Perez, teria que buscar fora da equipe. Carlos Sainz seria uma escolha óbvia, mas como mencionado anteriormente, o espanhol não se encaixa facilmente no perfil desejado para um piloto número dois.

Na Ferrari, Sainz não aceita ser o segundo piloto, e suas performances recentes justificam a ambição de ser número um, ou pelo menos, ter igualdade de tratamento com Charles Leclerc. Logo, uma mudança para a Red Bull, onde teria que aceitar ser eclipsado por Verstappen, não parece ser do interesse dele nem da equipe.

Fernando Alonso, caso seu futuro não estivesse definido com a renovação na Aston Martin, se encaixaria na categoria de piloto que poderia gerar atritos caso as coisas não funcionassem.

Lando Norris, outro piloto cobiçado pela Red Bull, renovou com a McLaren no início do ano, assim como Charles Leclerc com a Ferrari. Dentre as jovens estrelas, poucas estão disponíveis.

Considerando todos esses fatores, Perez surge como a escolha natural para a vaga e oferece estabilidade para a Red Bull em uma temporada repleta de incertezas. O interessante é a duração do contrato, que garante a permanência do mexicano por mais duas temporadas, adentrando o novo regulamento de 2026. O que acontecerá depois disso é uma questão para o futuro.